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Atendimento Odontológico a pacientes com Transtorno do Espectro do Autismo | Colunista

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Atendimento Odontológico a pacientes com Transtorno do Espectro do Autismo | Colunista

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Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é o termo usado para referir-se a desafios em habilidades sociais e comunicativas, a comportamentos repetitivos e a outras diferenças individuais. Sua etiologia ainda não é definida, embora alguns estudos afirmem que seja multifatorial, envolvendo fatores genéticos e neurobiológicos. A TEA tende a se apresentar até o terceiro ano de vida, sendo mais prevalente no sexo masculino.

Portadores dessa síndrome são, geralmente, sensíveis a estímulos externos, como barulhos e comportamentos inesperados, o que pode dificultar o atendimento odontológico. Muitas vezes, fazem-se necessárias diversas visitas ao consultório para que o paciente venha a reconhecer e aceitar o ambiente e o profissional.

O paciente autista necessita do atendimento de uma equipe multidisciplinar, para atender a todas as suas necessidades após dado o diagnóstico. A falta do cirurgião-dentista na equipe resulta, na maioria das vezes, em uma saúde bucal precária, uma vez que os pais, devido a tantos cuidados que essa criança demanda, têm dificuldade em realizar a higiene bucal.

Muitas vezes, crianças autistas são levadas ao consultório tardiamente, apresentando problemas bucais já instalados, como cárie, doença periodontal, má oclusão e bruxismo. No intuito de sanar e/ou prevenir essas condições, o dentista deve explanar aos responsáveis o porquê de manter a saúde bucal adequada e ensinar técnicas de realização da correta higiene.

Algumas práticas podem ser empregadas para facilitar e tornar o atendimento mais eficiente:

  1. Utilizar de bonecos, vídeos e músicas para a explicação lúdica de procedimentos, como a escovação dos dentes.
  2. TEACCH: a sigla em português significa Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Deficiência Relacionadas à Comunicação e tem por objetivo desenvolver protocolos com o passo a passo que a criança deve seguir. Na Odontologia, isso pode ser feito através de imagens que demonstrem os passos da escovação ou de demonstrações dos próprios responsáveis, para que o paciente repita.
  3. PECS: é o Sistema de Comunicação de Troca de Figuras, formado por imagens que demonstrem o que a criança deseja e para comunicar-se trocam as figuras. No consultório o dentista deve fazer a sequência de imagens com cada passo da escovação, à medida que uma etapa foi realizada o paciente recebe a figura do próximo movimento.


É essencial que o profissional seja capacitado e se familiarize com outros acompanhamentos médicos do paciente e com os medicamentos que utilize, para que o tratamento odontológico aconteça sabendo como intervir em casos de emergência.

O cirurgião-dentista deve construir uma relação baseada em confiança e dedicação, a fim de que o indivíduo torne-se mais cooperativo. Isso ocorrerá ao longo das consultas, e é atingido mais facilmente quando a criança é levada desde pequena ao ambiente odontológico.

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Referências:

  1. Sant’Anna, LFC; Barbosa, CCN; Brum, SC. Atenção à saúde bucal do paciente autista. Revista Pró-UniverSUS. 2017 Jan./Jun.; 08 (1): 67-74.
  2. Souza, TN; Sonegheti, JV; Andrade, LHR; Tannure, PN. Atendimento odontológico em uma criança com transtorno do espectro autista: relato de caso. Rev. Odontol. 2017. Mai. /Ago.; 29(2): 191-197.
  3. Lord, C; Brugha, TS; Charman, T. Autism spectrum disorder. Nature Reviews Disease Primers. 2020. 6(5).
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