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Saiba como se dá o atendimento multidisciplinar a pessoas com transtorno do espectro autista

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O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição comum, com diagnósticos precisos cada vez mais frequentes e que requer um atendimento multidisciplinar para contornar os desafios impostos. Médicos, psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais têm papel decisivo na melhora da qualidade de vida de pessoas com autismo, já que ainda não há cura para essa condição.

O Abril Azul, que recebe esse nome devido ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 02 de abril, é o momento em que toda a atenção é voltada para o TEA. Estima-se que uma a cada 160 crianças em todo o mundo tenham o transtorno do espectro autista. A proporção é de quatro meninos para cada menina.

Com o volume cada vez maior de pessoas diagnosticadas com essa condição, as equipes precisam se preparar para suprir a demanda e fazer cumprir os direitos assegurados por legislações internacional, como a Resolução “Comprehensive and coordinated efforts for the management of autism spectrum disorders (ASD)”, da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), e a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Acompanhe este artigo para entender como é feito o atendimento multidisciplinar de pessoas com o transtorno do espectro autista.

  1. O que é o transtorno do espectro autista
  2. Equipe multidisciplinar é fundamental
  3. Dúvidas frequentes

 

O que é o transtorno do espectro autista

O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição marcada por perturbações no desenvolvimento neurológico que se reflete no déficit de comunicação interpessoal e no comportamento do indivíduo. Cada pessoa manifesta sinais e sintomas diferentes, que indicam o grau da condição - se mais leve ou mais grave.

Os tipos comuns de autismo são:

  • Autismo clássico - Nesse caso, os indivíduos são introspectivos, não fazem contato visual com as pessoas nem com o ambiente e não utilizam a fala como forma de se comunicar. Também têm dificuldade de compreensão, absorvendo apenas o sentido literal das palavras e sendo incapazes de compreender metáforas ou duplo sentido;
  • Autismo de alto desempenho - Também chamada de Síndrome de Asperger, neste caso os indivíduos apresentam os mesmos sinais clássicos do autismo, mas de forma bem reduzida. A característica desse grau da condição é a inteligência e a habilidade em verbalizar, o que por vezes coloca esses indivíduos na condição de gênios;
  • Distúrbio de desenvolvimento sem outra especificação - Neste caos, os indivíduos são considerados dentro do espectro do autismo, têm dificuldade de comunicação e interação social, no entanto, os sintomas apresentados são considerados insuficientes para determinar o diagnóstico preciso do transtorno.

As causas do autismo ainda são majoritariamente genéticas. De acordo com Fernanda Reis, fonoaudióloga e sócia-diretora da Comunicare Clínica, que atende 450 famílias, a maioria de pessoas com transtorno do espectro autista, pesquisas têm se debruçado a entender quais genes estão envolvidos nesse transtorno. O que se sabe até então é que entre 97% e 99% dos casos de TEA são genéticos, sendo 81% hereditários.

Também é uma linha de pesquisa a identificação dos fatores ambientais que podem influenciar nessa condição, como idade avançada do pai e outros ocorridos nos períodos pré-natal e perinatal. Estudos indicam que fatores ambientais podem estar associados em 1% a 3% dos casos.

Equipe multidisciplinar é fundamental

A assistência à pessoa com TEA é feita por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais da Medicina, Fonoaudiologia, Psicologia e Terapia Ocupacional, majoritariamente. Essa característica está prevista na Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, sancionada em dezembro de 2012, na forma da Lei nº 12.764/2012. 

Essa assistência pode se dar tanto no sistema público quanto no privado. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), crianças e adolescentes passaram a ser atendidos nos Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), que possuem equipes multiprofissionais especializadas em saúde mental. As pessoas com TEA também são atendidas nas Unidades Básicas de Saúde, por meio do Programa Estratégia de Saúde da Família.


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De todo modo, a fonoaudiologia Fernanda Reis, sócia-diretora de uma clínica especializada na assistência a pessoas com TEA, explica que a indicação da equipe depende da situação da pessoa com autismo.

“A gente normalmente tem uma indicação para fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, que é a pessoa que vai cuidar da independência da pessoa com TEA, e psicólogo, para lidar com as questões comportamentais do paciente. Mas a gente abre o leque para outras especialidades também: a educação física especializada; a nutrição para crianças que apresentam restrição alimentar; a fisioterapia para psicomotricidade, que traz uma noção de movimento e corpo maior; pedagogia especializada, neuropsicologia. A gente pode abrir um leque bem grande, dependendo da dificuldade da pessoa com autismo|, acrescenta.

Normalmente, as equipes multidisciplinares de atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista se organizam da seguinte forma:

  • Médico - Responsável por realizar o diagnóstico, que geralmente feito por um psiquiatra infantil, pediatra ou neurologista;
  • Psicólogo - Responsável pela avaliação clínico-comportamental do paciente, deve reconhecer os sintomas e sinais característicos do TEA. Também desempenha papel central na assistência direta à criança e na orientação e suporte aos pais.
  • Fonoaudiólogo - Responsável pelo desenvolvimento da fala do indivíduo com TEA, tendo como objetivo a longo prazo sua independência cognitiva e funcional. O especialista deve conduzir as ações que irão desenvolver as habilidades de comunicação do portador do TEA.
  • Nutricionista - Diante das restrições alimentares que podem surgir devido às manifestações do TEA, o paciente pode adotar uma dieta nutricionalmente pobre. Nesse cenário, o nutricionista é fundamental para contornar o risco alimentar e comprometimento do estado nutricional da pessoa com TEA, tornando sua alimentação mais diversificada e nutritiva;
  • Terapeuta ocupacional - É responsável por ajudar a introduzir, manter e melhorar as habilidades das pessoas com autismo, das necessidades mais básicas às mais complexas. Por exemplo: se vestir, escovar os dentes, sentar adequadamente, consciência corporal, habilidades visuais, habilidades sociais, entre outras.

É importante reforçar que a assistência multidisciplinar à pessoa com autismo é fundamental para promoção de sua qualidade de vida, e direito assegurado nacional e internacionalmente. Afinal, ainda não há cura definitiva para o TEA. Até mesmo pelos diferentes graus de manifestação do autismo, também não há tratamento padrão. O tratamento costuma ser personalizado, em conformidade com as necessidades e progressos de cada paciente.

Dúvidas frequentes

Abaixo respondemos às dúvidas mais frequentes sobre o atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista.

  • Quais profissionais são necessários para essa rede de atendimento funcionar?

A rede multidisciplinar é normalmente composta por médicos, psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. No entanto, há casos com indicação para educadores físicos, pedagogos especializados e neuropsicólogos.

  • Como é o atendimento a pessoas com TEA?

O trabalho de atendimento a pessoas com TEA pode acontecer nas redes pública e privada de saúde. No SUS, crianças e adolescentes passaram a ser atendidos nos Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) e nas Unidades Básicas de Saúde, por meio do Programa Estratégia de Saúde da Família. O tratamento costuma ser personalizado, de acordo com as demandas e progressos de cada paciente.

  • É possível que o tratamento leve à cura do autismo?

Até então não há cura definitiva para o autismo. O trabalho da equipe multiprofissional de saúde tem como objetivo promover qualidade de vida da pessoa com o transtorno do espectro autista, desenvolvendo suas capacidades cognitivas e funcionais. 

 

Referências

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