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Saiba como as diferentes vacinas atuam em relação às variantes do coronavírus

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A vacina contra a Covid-19 é uma luz que se acende no fim do túnel que tem sido a pandemia de coronavírus. Diferentes laboratórios ao redor do mundo desenvolveram em tempo recorde imunizantes capazes de estimular um quê de esperança e devolver um pouco da normalidade que tínhamos no pré-pandemia.

O êxito, no entanto, ainda não impediu a circulação do vírus. Afinal de contas, parar a transmissibilidade do coronavírus é resultado de medidas de distanciamento social pouco adotadas. E conforme o vírus continua em circulação, ele se replica em outros organismos e passa por mutações.

Diante dessa realidade, fica a dúvida: como as vacinas agem contra as variantes do coronavírus?

Entre as variantes que preocupam pesquisadores e autoridades sanitárias, estão aquelas descobertas no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil. De modo geral, as vacinas já desenvolvidas têm se mostrado eficazes contra as variantes identificadas até hoje. No entanto, é preciso que estudos definitivos em todas as vacinas e considerando todas as variantes ainda sejam realizados.

Como vacinas atuam

Os principais laboratórios dedicados à produção de vacinas contra a Covid-19 já se manifestaram sobre a eficácia diante das variantes que surgiram nos últimos meses. Por exemplo, pesquisadores de Oxford anunciaram em análise preliminar que a vacina foi eficaz contra a variante do Reino Unido, mas a proteção é mínima em relação a manifestações leves ou moderadas causadas pela variante da África do Sul.

A Pfizer e a Moderna anunciaram que seus imunizantes conseguiram neutralizar em laboratório as variantes britânica e sul-africana, mas a produção de anticorpos caiu e, consequentemente, a capacidade de neutralização. Isso ocorreu devido à mutação E484K presente em ambas as variantes.

No caso da Pfizer, a redução é em dois terços, no entanto, não é possível determinar a ineficácia da vacina. Até então não há parâmetro de referência estabelecido quanto ao nível de anticorpos que é necessário para proteger o organismo da Covid-19.

As vacinas da Sinopharm e da Anhui Zhifei conseguiram neutralizar a variante da África do Sul, sem queda significativa no número de anticorpos, segundo estudo pré-print. Já a vacina da Johnson teve 57% de eficácia contra a mesma variante. O índice está bem abaixo do que foi encontrado em relação a outras variantes, mas acima dos 50% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A vacina da Novavax também teve eficácia mais baixa para a variante sul-africana em relação às demais. Quando comparada à variante britânica, por exemplo, a diferença é de quase 40%: 49,4% ante 89,3%. 

A Sinovac, responsável pela vacina CoronaVac, revelou que testes indicaram eficácia contra as variantes da África do Sul e do Reino Unido. Não há ainda informações acerca da variante brasileira. Por outro lado, o Instituto Gamaleya, que desenvolve a Sputnik V, não apresentou resultados de testes.


CONHEÇA AS PRINCIPAIS VARIANTES DO CORONAVÍRUS EM CIRCULAÇÃO


Tecnologia usada interfere 

Os diferentes resultados quanto à eficácia das vacinas é reflexo do tipo de tecnologia empregada no desenvolvimento dos imunizantes. A tendência é que vacinas contra a Covid-19 que usem parte do vírus como princípio sejam menos eficazes do que imunizantes que usam todo o vírus.

Explicamos melhor abaixo:

Vírus inativado

Essa tecnologia usa o vírus inativado do coronavírus, ou seja, a vacina tem todas as proteínas do vírus. Usam esse método os imunizantes da Sinovac, Sinopharm/Pequim, Sinopharm/Wuhan, Instituto de Biologia Médica da Academia Chinesa de Ciências Médicas, Instituto de Pesquisa para Problemas de Segurança Biológica do Cazaquistão e Bharat Biotech.

Esse tipo de tecnologia pode ter vantagem sobre as variantes, porque o corpo passa a identificar todas as partes do vírus, não apenas a proteína S, parte usada para se fixar nas células.

Vetor viral

A tecnologia do vetor viral usa um adenovírus para carregar parte do material genético do coronavírus para dentro do corpo humano. A partir disso, o organismo é instruído a fazer a proteína S do coronavírus, o que ativa os linfócitos B e T, considerados células-chave do sistema imunológico.

Os laboratórios que usam esse método são a Universidade de Oxford/AstraZeneca, CanSino, Instituto de Pesquisa Gamaleya e Johnson. Essa tecnologia pode não ser tão eficaz contra variantes do coronavírus, porque se a proteína S for modificada, a vacina se torna ineficaz. 

RNA

A tecnologia usa o material genético para instruir as células a fazer a proteína S do coronavírus, transportado por outros tipos de vetores. Assim como a vacina que usa o vetor viral, pode não ser eficaz contra o coronavírus devido à instrução para produzir apenas a proteína S.

Usam essa tecnologia os laboratórios da Moderna, Pfizer/BioNTech, Bayer/CureVac e Zydus Cadila.

Subunidades de proteína

Essa tecnologia é semelhante à vacina feita a partir do RNA, mas ao invés de dar às células do corpo instruções para fabricar a proteína S do coronavírus, esse método consiste na proteína já pronta. A ideia é apenas estimular o sistema imune.

Assim como as tecnologias de RNA e vetor viral, pode enfrentar problemas de eficácia contra a Covid-19. Outra característica dessa tecnologia, que dificulta sua atuação em relação às variantes, é que as proteínas usadas são desnaturadas - enquanto no vírus de verdade, não são. Logo, se a proteína usada para infectar as células não for a que está na vacina, o corpo não irá reconhecê-lo como invasor.

Essa tecnologia é usada pelos laboratórios Novavax, Anhui Zhifei Longcom e Academia Chinesa de Ciências Médicas. 

O que são variantes

As variantes de um vírus são como "filhos" do vírus original. Quando uma mutação começa a aparecer muitas vezes no vírus, configura uma variante em relação à versão anterior do vírus, chamada ancestral. 

O fato de existirem variantes não é indicativo de piora na situação da pandemia de Covid-19. É preciso que as linhagens passem por testes laboratoriais para identificar caracterísitcas, como facilidade de se ligar às células, maior capacidade de se reproduzirem e capacidade de escapar da vacina contra o coronavírus. 

Entre as principais variantes do coronavírus estão:

  • B.1.1.7, mutação N501Y, identificada no Reino Unido e considerada mais transmissível;
  • B.1351 ou 501Y.V2, mutações N501Y e E484K, identificada na África do Sul e considerada mais transmissível e com possível enfraquecimento da ação dos anticorpos humanos contra o coronavírus;
  • P.1, mutação N501Y, E484K e K417T, identificada no Brasil, especificamente no Amazonas, e considerada mais transmissível e com possível enfraquecimento da ação dos anticorpos humanos contra o vírus;
  • P.2, mutação E484K, identificada no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, e possível responsável pelo enfraquecimento da ação dos anticorpos humanos contra o vírus.

 

Referências

Variantes da Covid-19: entenda como o perfil das vacinas influencia a eficácia contra as mutações

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Farmacêuticas estudam eficácia de vacinas contra variantes do coronavírus

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