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Conheça as opções de desbridamento | Colunista

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Trata-se do ato de remover material necrótico, tecido desvitalizado, crostas, tecido infectado, hiperqueratose, corpos estranhos, fragmentos de ossos, micro-organismos ou qualquer tipo de carga biológica de uma ferida com o objetivo de promover a cicatrização da mesma.

Existem vários tipos de desbridamento, portanto é preciso que o enfermeiro tenha a competência para realizar a escolha ideal, evitando prejudicar o processo de cicatrização e não aumentar o sofrimento do paciente e os custos dos cuidados de saúde (FALABELLA, 2006).

Tipos de desbridamento

O desbridamento pode ser classificado pelo mecanismo de ação, ou seja: instrumental, mecânico, autolítico e químico. O desbridamento instrumental pode ser dividido como instrumental conversador, realizado pelo enfermeiro ou médico com a utilização de pinça, tesoura e bisturi, desde que habilitados para realiza-los e instrumental cirúrgico, realizado pelo médico cirurgião (YAMADA, 2003).

Desbridamento instrumental conservador

Também conhecido como instrumental não cirúrgico, pode ser realizado pelo enfermeiro, de forma gradativa e seletiva com uso de material estéril, técnica asséptica e medidas de biossegurança em ambiente hospitalar ou ambulatorial. O equipamento para esse desbridamento consiste em material cortante, como bisturi, cureta, tesoura, pinças. É possível associar com outro tipo de desbridamento, bem como enzimático e autolítico.

Visto que o tecido necrótico não tem sensação dolorosa, anestesia local geralmente é desnecessária, portanto o enfermeiro pode realizar a limpeza até a fáscia muscular. Nos casos de lesão extensa ou lesão por pressão categoria 4, o paciente deverá ser encaminhado ao centro cirúrgico para desbridamento por um cirurgião.

Nos casos de sangramento inesperado, o profissional deverá dispor de material hemostático, por exemplo, alginato de cálcio (COREN-PB, 2019).

Desbridamento enzimático

O desbridamento enzimático atua com ação da enzima quebrando as fibras de colágeno que unem o tecido necrosado ou esfacelado ao leito da ferida (NUTES, 2019).

Quais são os produtos mais comuns para realizar o desbridamento enzimático?

Colagenage, papaína.

Antes de aplicar uma pomada enzimática é importante ter os seguintes cuidados:

  • O tecido precisa estar úmido, portanto com exsudação leve ou moderada;
  • Não associar com produtos com prata, pois ela inativará a ação enzimática;
  • Suspender o uso assim que o tecido de granulação estiver bem aparente e então iniciar desbridamento autolítico;
  • Aplicar produto barreira perilesão, pois a colagenase é irritante à pele saudável.

Desbridamento autolítico

Esse tipo de desbridamento tem efeito quimiotáxico para leucócitos, favorece a angiogênese e mantém o meio úmido ideal. As coberturas usadas para esse procedimento podem ser encontradas em forma de gel transparente, amorfo ou placa, já em combinação com alginato pode ser usada para absorver exsudatos em feridas ulcerativas (GAMBA; KOLCHRAIBER, 2016).

Uma opção de cobertura para esse desbridamento é o hidrogel, que tem como característica o alto conteúdo de água ou glicerina, tornando-se pouco aderente ao leito da lesão, tem ação analgésica, faz preenchimento da cavidade, favorece epitelização. Um ponto negativo é o risco de maceração da pele perilesão, não protege da contaminação/infecção e precisa de um curativo secundário caso utilize em forma de gel (NUTES, 2009).

Desbridamento cirúrgico

São procedimentos que evitam amputações, se realizados precocemente, para retirada cirúrgica de tecidos necrosados, de calosidades e tecidos infectados. Por ser invasivo e de alto custo, pode ser indicado em feridas com grandes áreas necrosadas, com infecção, osteomielite, celulite avançada ou sepse (GAMBA; KOLCHRAIBER, 2016).

É uma técnica mais rápida e efetiva, portanto é mais utilizada em paciente com necessidade de intervenção urgente em uma única sessão no centro cirúrgico com o paciente sob anestesia ou sedação (GEOVANINI, 2014).

Desbridamento mecânico

Consiste na aplicação de uma força mecânica diretamente no tecido necrótico a fim de removê-lo, promovendo um meio ideal para a ação das coberturas primárias. Pode ser realizado por meio de fricção com gaze, esponjas ou jatos de água ou soro fisiológico 0,9% que atuaram por meio de abrasão mecânica sobre o tecido da ferida, porém este procedimento pode causar dor, prejudicar o tecido de granulação ou epitelização
(COREN-PB, 2019).

O enfermeiro precisa estar habilitado e consciente dos atos que serão praticados e assumidos por ele, respeitando os limites de competência e responsabilidade da profissão para realizar o desbridamento mecânico, enzimático, autolítico e instrumental conservador (COREN-SP, 2009).

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Referências

COREN-PB, Conselho regional de enfermagem da Paraíba. Legalidade da atuação do enfermeiro no desbridamento de feridas e queimaduras. Parecer técnico nº 78/2019. Disponível em: <http://www.corenpb.gov.br/wp-content/uploads/2019/09/Untitled_09172019_094035.pdf>

COREN-SP, Conselho regional de enfermagem de São Paulo. Realização de desbridamento pelo enfermeiro. Parecer técnico nº 13/2009. Disponível em: <https://portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/parecer_coren_sp_2009_13.pdf>

FALABELLA, AF. Debridement and wound bed preparation. Dermatol Ther. 2006;19 (6):317-325. Disponível em: <https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1529- 8019.2006.00090.x>

GAMBA, AG; KOLCHRAIBER, FC. Feridas decorrentes de diabetes mellitus mal controlado.In: GAMBA, AG; KOLCHRAIBER, FC. Feridas prevenção, causas e tratamento. 1. ed. Rio de Janeiro: Santos Ed., 2016. p. 165-166.

GEOVANINI, T. Tratado de feridas e curativos: enfoque multidisciplinar. São Paulo: Rideel, 2014.

NUTES, Núcleo de telessaúde Rio grande do sul. Qual o produto mais indicado para desbridamento em áreas de necrose em úlceras de pressão?. 17 jul 2009 ID: sof-1177. Disponível em: <https://aps.bvs.br/aps/qual-o-produto-mais-indicado-para-desbridamento-em-areas-de-necrose-em-ulceras-de-pressao/>

YAMADA, BFA. O processo de limpeza. In: Jorge SA &amp; Dantas SRPE. Abordagem multiprofissional do tratamento de feridas. São Paulo: Atheneu, 2003. p. 45-67.

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