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Diagnóstico de Enfermagem: como usar a NANDA-I na prática | Colunista

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O modelo biomédico foi usado por Florence Nightingale (1820-1910) na construção das bases da Enfermagem Moderna. O que Florence talvez não pudesse imaginar seria o movimento científico que se propagou dentro da Enfermagem. Cada dia estamos mais especializados e absorvemos amplo conhecimento sobre processos, procedimentos e tecnologias.

Os diagnósticos de enfermagem surgiram como uma necessidade de dar nome ao que os enfermeiros identificavam a partir do pensamento crítico e o raciocínio clínico, competências adquiridas pelo enfermeiro e essenciais para o cuidado. Além disso, o diagnóstico de enfermagem é parte da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e ação privativa do enfermeiro, conforme a Resolução COFEN 358/2009.

A SAE é a nossa forma de aplicar nossos conhecimentos técnicos e científicos, organizando o Processo de Enfermagem, que é composto por 5 etapas: histórico, diagnóstico, planejamento, intervenção e avaliação de enfermagem.

NANDA Internacional

A NANDA Internacional surgiu no ano de 1982 como uma forma de uniformizar os diagnósticos de enfermagem tornando a linguagem única e facilitando o uso de terminologias pelos enfermeiros.

A organização tem por missão “facilitar o desenvolvimento, o aperfeiçoamento, a disseminação e o uso de terminologia padronizada para os diagnósticos de enfermagem”. As revisões dos diagnósticos de enfermagem são periódicas e a cada 2 anos temos uma nova edição (a mais atual é 2018-2020).

A NANDA-I possui 244 diagnósticos de enfermagem e uma categorização de suas áreas de interesse em 13 domínios e 47 classes. De uma maneira geral, os domínios são grandes grupos de necessidade humanas básicas e as classes são subdivisões desses grupos.

Segue uma tabela com dois domínios e suas respectivas classes:

Domínio .png (16 KB)

Fonte: Elaborado pela autora. (HERDMAN, T. H.; KAMITSURU, S. Diagnósticos de enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2018-2020. Tradução de Regina Machado Garcez. 11. ed. Porto Alegre: Artmed. 1187p.)

Os diagnósticos de enfermagem podem ser focados no problema, na promoção de saúde ou num risco potencial. Além disso, existe também um diagnóstico de Síndrome, onde um grupo de diagnósticos de enfermagem ocorrem de maneira simultânea e com intervenções similares.

Outro componente importante na NANDA-I são os eixos, que é a resposta humana dentro do processo do diagnóstico, existem 7 eixos:

Eixos 2.png (33 KB)
Fonte: Elaborado pela autora. (HERDMAN, T. H.; KAMITSURU, S. Diagnósticos de enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2018-2020. Tradução de Regina Machado Garcez. 11. ed. Porto Alegre: Artmed. 1187p.)

Como construir o Diagnóstico de Enfermagem

A base da construção do diagnóstico de enfermagem é um junção de raciocínio clínico e pensamento crítico, uma compreensão sobre esses dois pontos é fundamental para garantir que os diagnósticos reflitam de maneira fidedigna os problemas reais e potenciais do paciente.

Como já foi mencionado, o enfermeiro pode realizar diagnósticos de problemas de saúde, estado de risco e disposição para a promoção da saúde, e cada diagnóstico tem importância. Muitas vezes um paciente com diagnóstico de risco precisa de uma atenção diferenciada da equipe.

Os diagnósticos de enfermagem costumam ser compostos pelo que a NANDA-I chama de descritor ou modificador e foco/conceito-chave do diagnóstico. Claro que existem algumas exceções (ansiedade, constipação…) já que em alguns descritor e foco estão juntos, mas no geral os diagnósticos trazem:

Foco/conceito-chave do diagnóstico (negrito) + Descritor/modificador (entre colchetes)
                                            Padrão respiratório [ineficaz]

Cada diagnóstico é composto por indicadores diagnósticos, que são informações que ajudam na seleção do melhor diagnóstico para o paciente. Fazem parte dos indicadores as características definidoras e os fatores relacionados ou fatores de risco.

  • Características definidoras: são indícios observados de maneira clínica, semelhante a sinais e sintomas.
  • Fatores relacionados: toda e qualquer circunstância que possa estar relacionada ao evento. Geralmente dados obtidos durante o histórico de enfermagem contribuem para essa fase.
  • Fatores de risco: situações que se associam a um estado de maior vulnerabilidade.

A 11ª edição da NANDA-I trouxe dois novos indicadores diagnósticos que podem ser vistos em alguns diagnósticos específicos:

  • Populações em risco: grupos de pessoas que, em uma situação especial, estão mais susceptíveis a exibir resposta diferente da convencional.
  • Condições associadas: situações onde o enfermeiro necessita de outros profissionais para intervir de modo a obter resultado favorável.

Depois de compreender os conceitos de cada indicador diagnóstico, é preciso compreender que nem sempre iremos usar todos eles para descrever um diagnóstico (sim, para descrever, porque para construir conhecer todos eles ajuda muito).

Existe um formato comum de descrever o diagnóstico usando os termos “relacionado a”, para se referir aos fatores relacionados, e “evidenciado por”, para se referir às características definidoras.

Diagnóstico de Enfermagem + relacionado a + Fatores relacionados + evidenciado por +
                                            Características definidoras

Independente da forma como será construído o diagnóstico de enfermagem é importante que ele reflita as condições do paciente identificadas através de um raciocínio clínico e pensamento crítico bem estruturados.

O que se observa é que hoje existe uma infinidade de fontes de conhecimento em saúde e que o tempo da graduação muitas vezes não é suficiente para causar as inquietações que a prática clínica faz suscitar. A cada dia os enfermeiros buscam aprimorar seus conhecimentos e é importante lembrar que o domínio do diagnóstico de enfermagem é fundamental para o cuidar do enfermeiro e não deve ser negligenciado.

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Referências:

HERDMAN, T. H.; KAMITSURU, S. Diagnósticos de enfermagem da NANDA-I: definições e classificação 2018-2020. Tradução de Regina Machado Garcez. 11. ed. Porto Alegre: Artmed. 1187p.

COFEN. Resolução COFEN-272/2002 – Revogada pela Resolução cofen nº 358/2009. Disponível em: <http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2722002-revogada-pela-resoluao-cofen-n-3582009_4309.html>. Acesso em 15 jun. 2020.

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