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Medo do parto e o mundo não tão colorido enfrentado por muitas gestantes | Colunista

Medo do parto e o mundo não tão colorido enfrentado por muitas gestantes | Colunista

Experiências impactantes e significativas tanto da gestação quanto as do parto podem trazer consequências para as mulheres no pós-parto e até mesmo influenciar nas concepções e vivências da maternidade. Vamos falar mais sobre isso?!

A gestação e o parto são experiências significativas para a maior parte das mulheres, mas vamos combinar que esse mundo não é tão cor de rosa assim né?! Isso por que sabemos que a gestação traz uma série de transformações não apenas biológicas, mas, sobretudo no quesito psicoemocional da futura mamãe. No inicio do século XX o medo era reconhecido como uma parte importante das expectativas das mulheres em relação ao parto (Fala sério!!)

O medo do parto pode ter um impacto negativo no bem-estar psicológico de uma mulher durante a gravidez e em sua experiência de nascimento. Muitos são os fatores associados ao medo do parto, e este quesito é de suma importância. Dentre as principais causas relacionadas podemos destacar:

  • Danos físicos para mulher, feto e/ ou o RN;
  • Morte;
  • Dor do parto;
  • Falta de confiança da mulher no seu corpo e na sua capacidade de parir;
  • Falta de envolvimento na tomada de decisões durante o trabalho de parto;
  • Falta de confiança nos profissionais de saúde e no seu comportamento para com a mulher;
  • Intervenções obstétricas.

Acreditem, infelizmente a violência obstétrica ainda é uma realidade!! Mas NÓS, profissionais de saúde, podemos mudar este quadro, Yeah! We Can.

Engana-se quem pensa que apenas algumas nulíparas referem medo do parto, se por um lado essas mulheres que nunca pariram, descrevem o medo do desconhecido, por outro algumas multíparas referem o medo do parto, devido a uma experiência dolorosa e/ ou traumática anterior. Logo vale salientar a importância do olhar individualizado em nossa assistência. Precisamos entender que as mulheres com medo do parto precisam de apoio que atenda às suas questões existenciais, permitindo expressar e integrar sentimentos, experiências e expectativas durante a gravidez, o parto e após o nascimento.

Vale lembrar que no Brasil, a partir do ano de 1992, o Ministério da Saúde fez uma importante reorganização da atenção ao parto e ao nascimento. Instituiu em 2000 o Programa de Humanização do Pré Natal e Nascimento, adotando as recomendações feitas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) o que vem colaborando significativamente na redução da mortalidade materna e neonatal, bem como na qualidade e atenção da assistência pré-natal, nascimento e pós-parto. Mas não adianta programas, protocolos e novas políticas sem “mão na massa” né amados?!

Então para que tais mudanças se efetivem na assistência ao pré-natal, nascimento e puerpério, é necessária uma mudança de paradigma, podemos salientar dentre estes:

  • Respeito à individualidade da mulher;
  • Visão da mulher como protagonista;
  • Respeito à cultura, às crenças da mulher e sua família;
  • Respeito aos valores e à diversidade de opiniões das gestantes e suas famílias.

Como podemos melhorar essa realidade?

Vocês já ouviram falar no W-DEQ?  Wijma Delivery Expectancy / Experience Questionnaire é uma ferramenta importante e que é possível penetrar em um construto psicológico relacionado ao medo do parto. (Interessante hein!!) Foi traduzido em diversos idiomas, este formulário pretende mensurar o medo do parto através de uma avaliação cognitiva das expectativas sobre o parto, durante a gravidez (versão A) ou da experiência após o parto (versão B) este é utilizado tanto em mulheres nulíparas (que nunca pariram) quanto em mulheres com paridades.

Então compreendendo esse universo não tão “mágico” da maternidade, como podemos ajudar nossas pacientes, de forma viável a reduzir o medo do parto?

  • Utilizar programas psicoeducativos – eles são muito importantes neste processo, pois permitirá conhecer e analisar os pensamentos, as emoções e os comportamentos das participantes;
     
  • Sessões de relaxamento – auxiliam diretamente na redução do estresse, respiração adequada, favorecendo na condição de saúde física e mental;
     
  • Cuidados de continuidade centrados na mulher /família (Não vale barrar a vovó nas consultas, tá amados!! Rsrs);
     
  • Uso de práticas integrativas – complementar a assistência favorecendo no equilíbrio biopsicoemocional, tais como reki, yoga, meditação, biodanza entre outros;
     
  • Rodas de conversas – são importantíssimas! Pois fortalecem vínculos e permitem a troca de experiências (Acreditem a roda não é fofoca, é SIM uma ferramenta maravilhosa para estreitar a relação/confiança e super esclarecedor para as participantes, vai por mim… a gente também aprende muuuito!);
     
  • Ações educativas – destacando as potencialidades da mulher como protagonista no parto (Afinal ela e o bebê são de fato as estrelas desse lindo espetáculo!!);
     
  • Orientação e esclarecimento das possíveis dúvidas e questionamentos.

É extremamente necessário reafirmar o quanto a gestação merece uma atenção especial para uma adequada preparação ao longo do período pré-natal para que as demais fases sejam de fato melhor compreendidas e vivenciadas por esta mulher e seu núcleo familiar. Afinal quando nasce um bebê, nasce também uma mãe e um
novo mundo para esse binômio.

Referências:

BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria 569. Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento. Brasília, DF. Acesso em 11 de julho de 2020. Disponível em: http://sisprenatal.datasus.gov.br/SISPRENATAL/Portaria_569_GM.pdf      

FISCHER C., Hauck Y., & Fenwick J. Como o contexto social afeta os medos do parto das mulheres: um exemplo da Austrália Ocidental. J Social science & medicine. Ciências Sociais e Medicina , 63 ( 1 ). Julho, 2006. Acesso em 10 de julho de 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16476516/

WIGERT H, Nilsson C, Dencker A, et al. As experiências das mulheres com medo do parto: uma metassíntese de estudos qualitativos. Int J Qual Stud Saúde Bem-estar . 2020; 15 (1): 1704484. doi: 10.1080 / 17482631.2019.1704484

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