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Teorias de enfermagem: principais teorias | Colunista

Teorias de enfermagem: principais teorias | Colunista

Você com certeza se deparou na graduação com as Teorias de Enfermagem, além de serem fundamentais para a compreensão da profissão e suas ações, estas estão muito presente nas provas de concurso, processos seletivos e residências. Por isso, preparamos um compilado das principais teorias! 

Teoria Ambientalista

A primeira de todas não poderia não ser esta; a teoria da mãe da Enfermagem, Florence Nightingale. Esta teoria destaca as interferências e condições do ambiente que afetam a vida e o funcionamento do organismo, que podem auxiliar na prevenção da doença ou contribuir para a morte.

Segundo Macedo (2008) Florence, em suas anotações, cita os elementos do ambiente que devem ser ajustados e controlados para a recuperação da saúde do paciente: ar puro, claridade, limpeza, aquecimento, silêncio, fazer as intervenções na hora certa e na oferta da dieta adequada.

Florence quando atuou na guerra da Criméia, contexto em que vivenciou e desenvolveu ações inovadores ao cuidado da saúde, percebeu que se atentar às condições ambientais no processo de reabilitação dos soldados feridos foi crucial para o aumento considerável de sobreviventes e diminuições de amputações por piora do quadro de saúde. Assim, ela percebeu o que era eficaz e o que prejudicava esse processo de reabilitação. Estes ideais fazem parte hoje do contexto da prática de enfermagem vivenciada pelos profissionais. A execução de cuidados que vai além do próprio paciente, mas que exerce sobre ele potencial de melhora do seu quadro de saúde (MEDEIROS; ENDERS; LIRA, 2015).

Assim, Florence ensinou a criar ambientes favoráveis à recuperação da saúde do paciente e, mais tarde, propôs modificações na forma de construir hospitais e gerenciá-los (MEDEIROS; ENDERS; LIRA, 2015).

Teoria do Autocuidado

A teoria do autocuidado, de Dorothea Orem, refere-se ao autocuidado, às demandas terapêuticas e aos requisitos para o mesmo. Este autocuidado é a prática de atividades realizadas pelo próprio indivíduo para cura ou melhora de sua realidade; são práticas que buscam a manutenção da vida, da saúde e bem-estar.

Quando o indivíduo contém habilidades preservadas de desenvolver ações que atendam a sua necessidade, ele está apto para o autocuidado, sendo esta dada de forma emancipatória pelo profissional de saúde, que o ensina a executar as ações corretamente. Para isto, deve-se levar em conta o potencial de aprendizado do indivíduo que é influenciado pela idade, experiências de vida, cultura, crenças, educação e outros fatores (MANZINI; SIMONETTI, 2009).

As demandas terapêuticas são classificadas por Manzini e Simonetti (2009) em: 

  • Requisitos universais – busca manter a vida e o funcionamento do ser humano. Instrumentos para sua execução: dados do exame físico, hábitos de vida, entre outros;

  • Desenvolvimento – oferece as condições necessárias, permitindo adaptações para o desenvolvimento do indivíduo; por exemplo: o histórico familiar, situação socioeconômica, doenças preexistentes, etc;

  • Desvios de saúde – são as mudanças que se manifestam na presença de doenças, incapacidades e tratamentos para o restabelecimento do indivíduo. Tem como exemplos: queixas atuais, percepções sobre a doença e o tratamento.

O compromisso do indivíduo com a própria saúde e o seu envolvimento com o autocuidado levam a uma melhora do estado da saúde, já que a impossibilidade de se manter contato direto com o paciente pode ser um agravante. Dar poder ao paciente fará com que a assistência seja contínua e adequada, já que o mesmo a executa de forma correta (MANZINI; SIMONETTI, 2009).

Teoria das Necessidades Humanas Básicas

A teoria de Wanda Horta se apoia e engloba a leis gerais que regem os fenômenos universais, como a lei do equilíbrio (homeostase): todo o universo se mantém por processos de equilíbrio dinâmico entre os seus seres; adaptação: os seres interagem com seu meio; lei do holismo: o ser humano é um todo, a célula é um todo, esse todo tem potenciais próprios, portanto, individuais (HORTA, 2005).

Compreendendo a enfermagem como uma ciência e arte de assistir o ser humano, atendendo às suas necessidades humanas básicas preestabelecidas, entende-se que este indivíduo tem suas peculiaridades, que são expressas na sua percepção à assistência prestada. Essas necessidades, sendo respeitadas e seguidas, contribuem para melhora do quadro atual deste indivíduo.

Portanto, a enfermagem compreende as necessidades e os fatores que alteram a vida dos indivíduos e presta assistência de forma resoluta e eficaz para os diferentes indivíduos, que expressam as necessidades de forma diferente. Todo cuidado interfere de forma preventiva e curativa, já que o indivíduo pode ser a causa do equilíbrio e/ou também a causa do desequilíbrio (HORTA, 2005); emancipar estes, é um ato de promover, recuperar a saúde e reabilitar indivíduos.

Teoria da Adaptação

“A Teoria de Callista Roy destaca-se por entender a pessoa como um sistema adaptativo e holístico e incluir a noção de estímulos que interagem com as pessoas e desencadeiam respostas” (MONTEIRO et al, 2016)

Esta teoria tem por base o homem, que é aquele que recebe e é o motivo do cuidado de enfermagem, do nascimento à morte ele passa pela dicotomia saúde-doença, pois interage com o ambiente, o que exige adaptação (tanto pela mudança do meio à sua volta como pela sua relação com o ambiente). Por exemplo, com a idade subir escadas pode ser determinante para quedas e fraturas. A enfermagem dá apoio e promove a adaptação do indivíduo agindo no processo saúde-doença (Horta, 2005).

A adaptação se refere a todas as formas conscientes e inconscientes de conciliação às condições do ambiente que o homem confronta (FAGUNDES, 1983). O ambiente consiste em um processo único e não são necessariamente entidades de conflito, pode ser interno (puberdade e velhice, por exemplo) e externo (entrar na escola e trabalhar, por exemplo) (HORTA, 2005).

O homem no seu ciclo vital atravessa uma série de situações críticas que exige dele adaptações, contudo no âmbito da saúde elas devem ser promovidas, pois nem todos são conscientes da necessidade de adaptação, como idosos que reconhecem que usar escadas lhe causa dores osteomusculares e assim não fazem uso, e outros que mesmo reconhecendo ainda continuam usando as escadas.

Teoria Holística

No geral, a autora Myra Levine vê o homem como um “todo” dinâmico, em constante interação com o ambiente também dinâmico. Sua teoria explica os sistemas de resposta do homem ao meio ambiente e considera a enfermagem uma conservadora das energias do paciente, pela avaliação das respostas dadas pelo homem ao processo de enfermagem (Horta, 2005).

Do momento do nascimento até a morte, cada indivíduo mantém e defende seu “todo”, sua “unidade” (HORTA, 2005). Assim, a integridade do homem é constituída pelos mecanismos de respostas aos estímulos que eles são expostos, atuando cada um conforme seus processos funcionais próprios.

Em cada situação particular de anormalidade que o homem é exposto (ser hospitalizado, por exemplo), deve ajustar-se ao novo ambiente, e em face a muitas novas experiências sua capacidade em se ajustar está intimamente relacionada às informações que recebe (HORTA, 2005).

Assim, entende-se que para cada estímulo há respostas que são expressas pelo indivíduo, a fim de regular suas alterações orgânicas, estimuladas por algo externo ou interno. Sendo estas respostas resultantes de uma cadeia de ações que pode interagir com diversas partes orgânicas do corpo, como doenças psicossomáticas. Sendo o ser um todo e integral, intervenções, por mais que sejam direcionadas, terão expressões diversas.

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REFERÊNCIAS

MEDEIROS, Ana Beatriz de Almeida; ENDERS, Bertha Cruz; LIRA, Ana Luisa Brandão De Carvalho. Teoria Ambientalista de Florence Nightingale: Uma Análise Crítica. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 19, n. 3, p. 518-524. 2015.

MACEDO, Priscila de Oliveira et al. As tecnologias de cuidado de enfermagem obstétrica fundamentadas pela teoria ambientalista de Florence Nightingale. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, p. 341-347. 2008.

MANZINI, Fernanda C; SIMONETTI, Janete P. Consulta de enfermagem aplicada a clientes portadores de hipertensão arterial: uso da teoria do autocuidado de Orem. Revista Latino-Americana de Enfermagem. 2009.

HORTA, Wanda de Aguiar. Processo de Enfermagem. Editora Pedagógica e Universitária, São Paulo. 2005.

MONTEIRO, Ana Karine da Costa et al. Aplicabilidade da teoria de Callista Roy no cuidado de enfermagem ao Estomizado. Rev. Enferm. Atenção Saúde, p. 84-92, 2016.

FAGUNDES, Norma Carapiá. O processo de enfermagem em saúde comunitária a partir da teoria de Myra Levine. Rev. bras. Enfermagem, Brasília, v. 36, n. 3-4, p. 265-273, 1983.

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