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Urgência e emergência: experiências de uma trainee de enfermagem | Colunista

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A atuação do enfermeiro se faz imprescindível em qualquer serviço de saúde, devido as possibilidades e dinamismo que a profissão entrega em níveis assistenciais, administrativos e até na docência. O Conselho Federal de Enfermagem em 2020, autoriza 60 especialidades, perpassadas pelas áreas de: Saúde Coletiva, Saúde da Criança e do Adolescente, Saúde do Adulto e do Idoso, Gestão, Ensino e Pesquisa, bem como Urgência e Emergência. Sendo esta última uma das áreas mais almejadas da profissão.

Iremos dialogar sobre a minha experiência como Trainee de Enfermagem em Urgência e Emergência em um hospital de referência na Bahia no ano de 2019 e, relatar as responsabilidades atribuídas ao profissional dentro deste ambiente. A Emergência em que atuei, era subdividida em alguns setores, estes que serão agora apresentados.

ACOLHIMENTO COM CLASSIFICAÇÃO DE RISCO (ACCR)

ACCR, é a porta de entrada do hospital. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), a triagem é um método utilizado nos serviços de urgência e emergência que visa avaliar, classificar e priorizar a ordem de atendimento dos indivíduos que buscam os serviços de saúde; de acordo com a gravidade clínica, os potenciais agravos à sua saúde, bem como seu sofrimento. Desta forma, a busca pela assistência àqueles que estão em um estado de vulnerabilidade se tornará mais ágil, seguro e sistematizado (SESAB, 2020).

Nesta instituição, a classificação de risco era realizada por enfermeiros, que deveriam estar preparados para receber qualquer perfil de cidadãos em termos das singularidades social, econômica, cultural e religiosa. Então, era importante realizarmos um acolhimento humanizado do usuário e seus acompanhantes, receber suas queixas através de uma escuta qualificada, classificar mediante Protocolo de Manchester e enfim, definir a prioridade de atendimento.

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Fonte/Link da imagem: https://passevip.com.br/pulseiras-protocolo-de-manchester/amp/

Na assistência, avaliava a queixa principal, comorbidades existentes como hipertensão e diabetes e a terapêutica utilizada; alergias, sinais vitais do paciente, escala de dor, escala de Glasgow e dificuldades de comunicação através de uso de drogas, álcool ou retardos mentais. Assim, a triagem seria mais efetiva e adequada ao processo de vulnerabilidade do indivíduo no momento. No fim, este seria classificado de acordo com as 5
cores do protocolo em acordo com a urgência do seu atendimento.

Através da triagem podemos ter o primeiro contato tanto com o paciente quanto com o acompanhante. Nesse momento, além do conhecimento científico, precisaríamos aplicar a humanização da saúde, ofertando o acolhimento e a clínica ampliada, que são diretrizes da Política Nacional de Humanização do SUS.  Se você não conhece essa política, pesquise, ela é imprescindível para a nossa atuação profissional, visto que precisa ser transversal em toda a assistência à saúde, já que objetiva-se por colocar em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar (BRASIL, 2004).

SALA DE MEDICAÇÃO ADULTA OU CLÍNICA MÉDICA

Nesse setor eram alocados pacientes em estado álgico ou problemas de saúde que necessitassem de baixos recursos tecnológicos, para que assim, pudessem fazer uso de medicações e serem observados até o momento da reavaliação médica e alta hospitalar. É importante salientar que o tempo de permanência máxima aqui seriam de até 24 horas. Em necessidade de um tempo superior, era obrigatório internar o mesmo ou transferir para outra
unidade de referência.

As atividades desenvolvidas eram: verificar periodicamente os sinais vitais dos pacientes em observação, passagem de sonda de alívio ou demora, lavagens retais e derivados. Quando necessário, encaminhar pacientes a exames solicitados pela equipe médica; se houvesse a necessidade de internação, o enfermeiro realizava a ficha de admissão, com histórico, exame físico, anamnese e aprazamento das medicações que ficariam em uso.

SUTURA OU CLÍNICA CIRÚRGICA

Na sutura recebíamos indivíduos advindos da demanda espontânea (sala de triagem), bem como trazidos por corpo de bombeiros, polícia e SAMU. Logo, emitíamos atendimentos primários para pacientes hemodinamicamente estáveis e que necessitavam de atendimento da cirurgia geral. Muitos dos nossos pacientes permaneciam internados.

Assim, a nível de responsabilidades de enfermagem, o profissional deveria ficar preparado para receber qualquer tipo de agravo que se adeque ao setor e auxiliar como membro atuante da equipe multiprofissional para a recuperações e estabilização do quadro dos seus pacientes.

Além disso, nos casos dos internamentos, era imprescindível a realização da visita de enfermagem para a realização da evolução diária, que é um momento crucial para o compartilhamento de informações entre equipe e paciente, uma vez que, esse conhecimento influenciaria todas as decisões e dinâmica da equipe multiprofissional. Como atuamos na linha de frente do cuidado assistencial, passando maior tempo com os pacientes e, por esse motivo somos responsáveis por avaliar e comunicar qualquer mudança do estado de saúde do mesmo, logo, tais atividades precisam ser realizadas de forma eficiente e eficaz.

SALA VERMELHA OU UNIDADE SEMI-INTENSIVA

Nesta sala, recebíamos pacientes classificados como vermelho de acordo com o Protocolo de Manchester. Ou seja, pacientes que precisavam de cuidados imediatos. Aqui, a assistência de enfermagem demandava o uso de tecnologias e aparelhagens bem específicas devido a complexidade dos casos, porém, o mais imprescindível, necessitava de agilidade.

Na Unidade Semi-Intensiva, a enfermagem tinha sob sua responsabilidade toda uma gama de aparelhos como: bombas de infusão e dieta, respiradores, tubos, umidificadores cilindros de O2, cateteres, drenos e tudo de mais complexo que podemos encontrar na assistência.

O enfermeiro neste setor, precisa se adaptar as inúmeras situações, auxiliando no processo de intubação oro ou nasotraqueal, preparação, aspiração e administração de medicações em momentos de paradas cardiorrespiratórias e traumas, participando ativamente em PCR, dentre outras manobras como: sondagens, aspiração oro nasal, realização de balanço hídrico e afins.

Foi na sala vermelha que senti minhas maiores dificuldades e inexperiências assistenciais, mas, também entendi que os desafios encontrados apontavam para uma qualificação profissional.

PONTOS EM COMUM

É importante salientar que estamos falando de uma unidade de emergência intra-hospitalar, logo, por mais setorizada que esta seja, pode acontecer qualquer tipo de intercorrência. Sendo assim, você, enfermeiro deve ao iniciar o plantão: verificar se está à disposição da equipe todos os materiais necessários para a rotina e possíveis
intercorrências (ex.: materiais para intubação, suporte de O2 em perfeito estado de funcionamento e seus frascos e conectores etc.). 

Além dos serviços assistenciais, o enfermeiro tem a obrigação de fazer o dimensionamento de técnicos de enfermagem no início do plantão, checar o carrinho de emergência do seu setor (lacres, se há medicações em falta na unidade); e ao final do plantão, repor o carrinho de emergência caso tenha sido usado e deixar o setor organizado para a passagem de plantão. 

Cabe a esse profissional verificar as demandas do dia, como: se há pacientes que precisam ser encaminhados para realização de exames, e assim preparar os mesmos. Identificar se existem pacientes em alta hospitalar ou para transferências hospitalares. E não menos importante, em todos os setores o enfermeiro realiza a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), adequando a sua assistência. Se você não conhece as
5 etapas da nossa SAE, também recomendo que leia para entender a sua importância.

O FIM DE TUDO NÃO É O FIM

Compartilhei com vocês algumas atribuições que vivenciei no meu período de trainee no setor de urgência e emergência intra-hospitalar. Lembrando que, existem muitas outras atribuições e atividades que podem ser realizadas e que não foi citado durante o texto. Mas, como profissionais atuantes, devemos sempre continuar pesquisando e conhecendo todas as vertentes das nossas responsabilidades.

Espero que tenham gostado e até mais!

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REFERÊNCIAS

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: Política nacional de humanização: documento base para gestores e trabalhadores do SUS. Ministério da Saúde, Secretaria-Executiva, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. – 2. Ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizaSUS_politica_nacional_humanizacao.pdf>. Acesso em: 01 jun. 2020.

Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Resolução COFEN nº 625, de 19 de fevereiro de 2020. Altera a Resolução Cofen nº 581, de 11 de julho de 2018, que atualiza, no âmbito do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, os procedimentos para Registro de Títulos de Pós – Graduação Lato e Stricto Sensu concedido a Enfermeiros e aprova a lista das especialidades. Disponível em: <http://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-625-2020_77687.html>. Acesso em: 29 de jun. 2020.

Secretaria do Estado da Bahia (SESAB). Como Funciona o SUS: Classificação de Risco. Disponível em: <http://www.saude.ba.gov.br/atencao-a-saude/comofuncionaosus/classificacaoderisco/>. Acesso em: 01 de jun. 2020.

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