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A importância da intervenção farmacêutica na prescrição medicamentosa | Colunista

A importância da intervenção farmacêutica na prescrição medicamentosa | Colunista

Problema Relacionado a Medicamento (PRM) é qualquer evento indesejável que o paciente apresente relacionado com a farmacoterapia, vindo de diversas causas, que leve a efeitos indesejados ou interfira na eficácia da terapêutica. Esses problemas podem ser causados pelas conhecidas reações adversas a medicamentos (RAMs), não evitáveis, que causam danos ao paciente ou por erros de medicação (EM), que são evitáveis.

Identificar e monitorar esses problemas é muito importante para garantir uma terapêutica eficaz e segura. Considerando que os erros de medicação podem ser evitados, você sabia que é o farmacêutico que intervém na prescrição para evitar esses problemas e assim contribuir na prevenção de erros? E tem até uma resolução que regulamenta sua intervenção, e outros aspectos da atuação do farmacêutico clínico.

Nos últimos anos, a preocupação com a segurança no uso de medicamentos tem se intensificado, porque a farmacoterapia tem um papel relevante no tratamento, prevenção, diagnóstico e controle de sinais e sintomas de doenças, mas seu uso incorreto pode até piorar a saúde do paciente. Conforme estudos mundiais, aproximadamente 5% a 6% das hospitalizações estão relacionadas ao uso de medicamentos, sendo que, mais da metade dessas internações seriam evitáveis, estando relacionado a erros de medicação (EM).

Representando um grave problema de saúde pública, o erro de medicação é qualquer evento prevenível que pode levar ao uso inadequado de medicamentos, causando ou não dano ao paciente. Os erros de medicação ocorrem quando o medicamento está sob responsabilidade do profissional de saúde, do paciente ou do consumidor, e portanto podem estar relacionados tanto à prescrição, quanto à dispensação ou administração do medicamento.

Um dos erros de medicação mais graves é o erro de prescrição, não intencional, ocasionado pelo prescritor ao redigir a receita do paciente. Pode ser tanto um erro na redação, quanto na decisão da escolha da farmacoterapia. Esse tipo de erro acaba por diminuir a eficácia do tratamento, causar eventos adversos e baixar a adesão ao tratamento, piorando a saúde do paciente, levando à internação ou até à morte. Isso interfere diretamente na segurança de quem está sendo tratado. Os erros de prescrição podem ser classificados em erros de procedimento, de dosagem ou terapêuticos (tabela 1).

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Medidas voltadas a programas educacionais e tecnologia da informação podem ser tomadas com o intuito de prevenir os erros de prescrição, porém o farmacêutico clínico atuando através da atenção à prescrição, tem se mostrado o meio mais eficaz na prevenção de internações pelo uso de medicamentos. Só para deixar claro, a atenção à prescrição é a análise da prescrição medicamentosa pelo farmacêutico.

A Resoluc?a?o número 585 de 29 de agosto de 2013, que regulamenta as atribuições do farmacêutico clínico, dispõe sobre a atenção à prescrição e afins. Ela regulamenta a participação do farmacêutico no planejamento e avaliação da farmacoterapia, a própria análise da prescrição quanto a aspectos legais e técnicos, intervenções com o intuito de auxiliar na farmacoterapia do paciente e passar o seu parecer aos outros profissionais de saúde, acesso ao prontuário do paciente, e prevenção e identificação de qualquer problema relacionado com o medicamento.

A atenção à prescrição é atividade privativa do profissional farmacêutico e para que seja realizada, o profissional deve levar em consideração três fatores: o paciente, a análise da prescrição em si com a intervenção, se necessário, e por último o acompanhamento do paciente pós-intervenção. Esses fatores são abordados da seguinte forma:

Paciente

O paciente é o foco da intervenção, e por isso é necessário que o farmacêutico faça uma coleta de informações sobre ele antes de avaliar a prescrição em si. Dessa forma, o farmacêutico consegue ter uma visão geral do paciente e levar em consideração essas informações ao analisar a terapia medicamentosa. Se for no hospital, ele acessa o prontuário do paciente, se não, ele faz uma pequena entrevista com o paciente para avaliar:

  • Idade;
  • Dados antropométricos;
  • Sinais vitais;
  • Hipótese diagnóstica;
  • Comorbidades;
  • Histórico medicamentoso e de doenças;
  • Doenças em tratamento e quais medicamentos estão em uso;
  • Alergias;
  • Fatores socias, culturais e econômicos.

Prescrição

O farmacêutico avalia a prescrição conforme aspectos técnicos e legais. A primeira coisa a ser observada é a legibilidade da prescrição e data de emissão, depois nome do paciente e do prescritor, com assinatura e carimbo do último, nomenclatura oficial da molécula prescrita (DBC ou DCI) e a inscrição do profissional prescritor no conselho de classe. Só então ela é avaliada conforme aspectos clínicos, farmacotécnicos (manipulação) e logísticos:

Aspectos clínicos:

  • Indicação;
  • Dose e frequência de administração;
  • Forma farmacêutica;
  • Apresentação;
  • Via de administração;
  • Duração do tratamento.

Também deve ser verificada a inclusão de algum medicamento, duplicidade terapêutica e a necessidade de ajustes na medicação de acordo com a farmacocinética do medicamento e o que foi relatado pelo paciente na entrevista e prontuário.

Aspectos farmacotécnicos: Quando o medicamento é manipulado, verifica-se a compatibilidade da molécula com o diluente e volume do diluente conforme concentração recomendada do medicamento.

Aspectos logísticos: Disponibilidade do medicamento para dispensação.

O farmacêutico analisa a prescrição e se encontrar algum erro ou falta de informação, entra em contato com o prescritor para discutir sobre o que foi receitado, de forma a intervir no tratamento do paciente, com o intuito de melhorar a farmacoterapia e prevenir erros, contribuindo com a racionalidade do uso de medicamentos. Após validação da prescrição, os medicamentos podem ser dispensados. A última etapa é a etapa pós-intervenção e dispensação.

Acompanhamento pós-intervenção e dispensação

Após a dispensação do medicamento, o farmacêutico avalia a adesão do paciente ao tratamento e possíveis reações adversas que venham a ocorrer. Desse modo, o profissional acompanha os resultados da sua intervenção na farmacoterapia do paciente, podendo estabelecer indicadores de qualidade conforme os resultados obtidos.

Algumas das principais vantagens da intervenção farmacêutica feita da maneira correta são redução de custos, diminuição de casos de internação e morte por erro de medicação, diminuição da incidência de reações adversas e interações medicamentosas, melhora da adesão ao tratamento e melhor qualidade de vida dos pacientes. Isso mostra que atenção à prescrição é essencial nos estabelecimentos de saúde, principalmente na prevenção de erros de medicação.

Além disso, os centros de informação de medicamentos, as medidas corretivas e programas educacionais que visam melhorar a comunicação entre o farmacêutico e toda a equipe multidisciplinar, também são intervenções auxiliares na prevenção de erros. O principal benefício da análise da prescrição e intervenção farmacêutica é que os medicamentos são dispensados de maneira mais segura. Portanto, os possíveis erros não perpetuam na terapêutica do paciente, evitando problemas mais graves além da própria doença, e assim fornecendo sempre um tratamento de qualidade ao paciente.

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REFERÊNCIAS

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