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A polifarmácia geriátrica | Colunista

A polifarmácia geriátrica | Colunista

Nos últimos anos a expectativa de vida da população tem aumentado no Brasil e no mundo, e a Organização das Nações Unidas estima que em 2050 a população mundial será representada por 50% de idosos, contra 10,4% em 2005. Hoje há uma expectativa de vida em todas as classes sociais de 74 anos, graças aos avanços na medicina e melhoria nas condições de vida da população.

A preocupação com a assistência à saúde do idoso surge com o aumento da longevidade, visto que esse grupo está mais propício a patologias que inclui recursos farmacológicos em seu tratamento, ou seja a longevidade leva as pessoas a fazerem uso de mais medicamentos devido a diversas patologias que esse grupo é vulnerável.

O profissional de saúde tem um papel muito importante ao prestar os cuidados nesse grupo de pacientes, e deve conhecer as consequências do envelhecimento fisiológico e ser habilidoso para manejar os indivíduos polimedicados, pois são mais propensos a reações adversas a medicamentos (RAM).

As alterações fisiológicas relacionadas à idade são variadas, por exemplo a redução de água  e gordura corporal, massa muscular, albumina sérica, fluxo sanguíneo hepático que são fatores importantes para absorção, distribuição, metabolismo e eliminação de medicamentos.

 A difícil adaptação a sobrecargas funcionais, pode fazer com que os idosos fiquem mais dispostos a patologias se compararmos com os mais jovens. 

Os processos farmacocinéticos e farmacodinâmicos também podem ser afetados pelas alterações fisiológicas e levar a uma RAM, pois estes processo são responsáveis por desencadear a resposta clínica do medicamento que foi administrado.

Há também outros fatores que pode deixar o idoso mais vulnerável a uma RAM que são as comorbidades (hipertensão, diabetes, dislipidemias, dentre outras), e o tipo de medicamentos prescritos (adequados e inadequados)

Muitos medicamentos não deveriam ser prescritos para idosos por terem evidência insuficiente de benefícios, risco elevado de RAM graves e por opções terapêuticas que podem ser mais efetivas e que apresentam menos riscos para esse indivíduo. Ressaltando, existe uma variação individual, em que um paciente de 70 anos pode ter suas funções biológicas equiparável a um de 40 anos.

As RAM podem ser classificada em graves que colocam em risco a vida do paciente ou que prolongam a internação e em não graves. 

São Classificadas em: A) São mais comuns, mais prevalente em idosos, relacionadas aos efeitos farmacológicos, dose dependentes; B) Sem dependência da dose ou propriedades farmacológicas, muito raras, associadas a uma elevada proporção de morbidade e mortalidade sem dependência da dose .

Alguns exemplos de RAM são, sangramentos estomacais quando se faz uso de AINES, cimetidina que pode levar a uma confusão mental, metildopa e nifedipina pode levar a uma hipotensão e constipação e provocar até quedas no paciente, são algumas reações adversas que estes medicamentos podem provocar e ser muito prejudicial ao idoso.

Polifarmácia

A utilização de vários medicamentos ao mesmo tempo ou o uso de medicamentos desnecessários pode ocasionar “polifarmácia”. Outros autores citam o uso de 5 medicamentos ou mais para equiparar a polifarmácia. Esse fenômeno tem etiologia multifatorial e começou a ser evidenciado nos Estados Unidos quando passou a configurar como um dos problemas relacionados ao uso de medicamentos. 

A polifarmácia está associada diretamente aos custos assistenciais podendo aumentar o risco das RAM em 3 ou 4 vezes, podendo imitar síndromes geriátricas ou podendo precipitar quadros de confusão, incontinência ou quedas, causar toxicidade cumulativa, erros de medicação, reduzir a adesão ao tratamento e elevar a morbimortalidade.

O monitoramento da população com idade avançada torna-se obrigatório quando existe a polifarmácia nestes indivíduos. É muito importante nesse monitoramento revisar os medicamentos e para poder identificar e descontinuar fármacos desnecessários, e isso tem uma estratégia muito aceita e utilizada que é levar o “saco” com todos os medicamentos que faz uso ao profissional de saúde.

Interações medicamentosas

Uma interação ocorre quando um medicamento influencia a ação de outro. Os idosos podem apresentar redução de eliminação dos fármacos do organismo, pois possuem várias patologias e frequentemente são polimedicados, por isso são mais suscetíveis a interações medicamentosas. 

É muito importante supervisionar os medicamentos que o paciente utiliza para evitar interações, já que pode ocorrer uso de fármacos desnecessários ao seu quadro e também prescrições duplicadas ou antagônicas, e no ato da supervisão questionar se há automedicação ou se faz uso de plantas medicinais e etanol. 

Estima-se que o risco de uma interação medicamentosa acometer um idoso é de 13% para os que usam dois medicamentos, 58% para aqueles que recebem cinco medicamentos e 82% para aqueles que recebem sete medicamentos ou mais.

Os medicamentos comumente usados por pacientes idosos, por exemplo os anti-inflamatórios não esteroides (AINES), inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA), betabloqueadores, digoxina, diuréticos, depressores do sistema nervoso central, são potencialmente interativos. 

Os indutores enzimáticos (carbamazepina, fenitoína), os inibidores enzimáticos (Cimetidina, Omeprazol) são envolvidos com muita frequência nas interações medicamentosas e assim ameaçam a saúde do idoso. É muito importante que os profissionais conheçam o poder interativo desses medicamentos, a fim de prevenir eventos adversos da combinação terapêutica prescrita desses medicamentos.

Todavia é bom sempre realizar exames de rotina para identificar possíveis desvios fisiológicos no idoso, visto que alguns danos podem ser silenciosos, tardio e às vezes irreversível. 

Os medicamentos prescritos aos idosos sempre devem ser escolhidos de acordo com suas particularidades, devido aos problemas relacionados com o uso dos mesmos serem comuns na geriatria.

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REFERÊNCIAS

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