Todas as Áreas

Carreiras

Farmacêutico x Resistência antimicrobiana: quem vencerá essa batalha? | Colunista

Farmacêutico x Resistência antimicrobiana: quem vencerá essa batalha? | Colunista

Farmacêutico x Resistência antimicrobiana_ quem  vencerá essa batalha_.jpg (69 KB)

Contexto da resistência antimicrobiana

A multirresistência antimicrobiana apresenta-se como um dos maiores desafios para a saúde pública global atualmente. Embora a resistência seja um fenômeno natural, ela é exacerbada por diversos fatores, entre eles: uso indevido de antimicrobianos, programas inadequados ou inexistentes para prevenção e controle de infecções, vigilância inadequada e regulamentação insuficiente do uso de antibióticos.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, mais da metade de todos os medicamentos é prescrita ou dispensada de forma inadequada, somado ao fato de metade dos pacientes não os utilizam corretamente. Este uso inadequado do medicamento pode causar danos graves e aumentar os custos de assistência à saúde.

Tal situação é uma preocupação mundial e apresenta maior repercussão quando se relaciona à utilização de antimicrobianos, pois de acordo com dados da literatura, cerca de 50% das prescrições desta classe de medicamentos são desnecessárias ou inadequadas e cerca de 2/3 destes são utilizados com algum erro, seja em relação à dose, indicação, duração do tratamento, via de administração e outras falhas relacionadas à utilização destes agentes terapêuticos.

Um importante estudo publicado na área mostrou o impacto da multirresistência antimicrobiana e sua progressão frente à inexistência de opções farmacológicas em 2050. Tais resultados demonstraram que os antimicrobianos sem resposta clínica seriam os principais causadores de óbitos e levariam a morte de dez milhões de pessoas anualmente, custando ao mundo até 100 trilhões de dólares por ano

Programas de Gerenciamento da Terapia Antimicrobiana (Stewardship)

O Stewardship Program foi definido como um conjunto de intervenções coordenadas, destinadas a melhorar e medir o uso adequado de agentes antimicrobianos por meio da promoção da seleção otimizada do regime antimicrobiano ideal.

Segundo diretriz da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o gerenciamento de antimicrobianos visa garantir a melhor farmacoterapia, diminuir a ocorrência de eventos adversos, prevenir a seleção e a disseminação da resistência bacteriana, bem como reduzir os custos da assistência à saúde.

O Programa de Gerenciamento de Antimicrobianos envolve um conjunto de estratégias destinadas ao uso racional desses medicamentos. Entre elas, destacam-se auditoria prospectiva das prescrições médicas com sugestões e feedbacks, elaboração de protocolo/formulário de restrição para dispensação de antimicrobianos de reserva, gestão do tempo de tratamento, descalonamento, terapia sequencial oral e educação permanente.

Na composição do time Stewardship, os farmacêuticos devem assumir um papel estratégico na gestão dos tratamentos visando à promoção do uso racional de medicamentos. Além da verificação de especificidades farmacodinâmicas e cinéticas, bem como aspectos relacionados à farmacotécnica, diluição/estabilidade e interações medicamentosas. De modo a garantir a melhor farmacoterapia para o paciente.

Atribuições do Farmacêutico Clínico no gerenciamento da terapia antimicrobiana

O Farmacêutico Clínico torna-se peça fundamental para combater a resistência antimicrobiana. Entre suas atribuições em programas de gerenciamentos da terapia antimicrobiana (stewardship), destacam-se:

  • Auditoria prospectiva da prescrição após a dispensação inicial pela farmácia;
  • Auxílio na otimização da posologia conforme características clínicas do paciente, agente etiológico, sítio infeccioso e características farmacocinéticas e farmacodinâmicas do medicamento;
  • Auxílio na monitorização terapêutica e ajuste de dose, de acordo com concentração plasmática (ex.: vancomicina, aminoglicosídeos);
  • Participação no desenvolvimento e atualização de protocolos de indicação e uso;
  • Auxílio no processo de descalonamento, ajuste da terapia, terapia sequencial (conversão de terapia parenteral para oral) e suspensão de tratamento;
  • Educação dos profissionais de saúde;
  • Auxílio na detecção e prevenção de reações adversas e erros de medicação;
  • Orientação do paciente, especialmente no momento da alta

Matérias relacionadas:

Referências

ANVISA, 2017. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/271855/Diretriz+Nacional+para+Elabora%C3%A7%C3%A3o+de+Programa+de+Gerenciamento+do+Uso+de+Antimicrobianos+em+Servi%C3%A7os+de+Sa%C3%BAde/667979c2-7edc-411b-a7e0-49a6448880d4

Bell BG, Schellevis F, Stobberingh E, Goossens H, Pringle M. A systematic review and meta-analysis of the effects of antibiotic consumption on antibiotic resistance. BMC Infect Dis. 2014; 14: 13.

WHO. World Health Organization. Patient safety research. França: 2009. 16p.

Hulscher ME, Grol RP, Van der Meer JW. Antibiotic prescribing in hospitals: a social and behavioural scientific approach. Lancet Infect Dis. 2010; 10: 167–75.

Davey P, Brown E, Charani E, et al. Interventions to improve antibiotic prescribing practices for hospital inpatients. Cochrane Database Syst Rev. 2013; 4.

Spoorenberg V, Hulscher ME, Akkermans RP, Prins JM, Geerlings SE. Appropriate antibiotic use for patients with urinary tract infections reduces length of hospital stay. Clin Infect Dis. 2014; 58: 164–69.

Cadastre-se para ter acesso personalizado ao conteúdo completo da Sanar.
Cadastre-se para ter acesso personalizado ao conteúdo completo da Sanar.