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Farmacoterapia e cuidados farmacêuticos aplicados ao paciente hipertenso

Farmacoterapia e cuidados farmacêuticos aplicados ao  paciente hipertenso

Segundo a 7ª Diretriz Brasileira de Cardiologia, a Hipertensão arterial (HA) apresenta-se como condição clínica multifatorial caracterizada pela elevação sustentada dos níveis pressóricos ≥ 140 e/ou 90 mmHg. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde estima-se que em torno de 25% da população apresenta tal diagnóstico, sendo os idosos a parcela mais afetada.

Fisiopatologia da Hipertensão Arterial

Os mecanismos fisiológicos de controle da pressão arterial são regulados por dois sistemas: o sistema nervoso simpático e o sistema renina-angiotensina-aldosterona.

Quando ocorre uma diminuição da pressão arterial, os barorreceptores atuam estimulando a liberação de noradrenalina, que por sua vez, possui receptores no coração e nos músculos lisos. A ativação dos adrenoceptores resulta em elevação do débito cardíaco e da resistência periférica, o que ocasiona aumento da pressão arterial.

Em relação a resposta mediada pelos rins, há um estímulo a produção de renina. Tal enzima é responsável por converter o angiotensinogênio em angiotensina I. Esta, por sua vez, é convertida em angiotensina II pela enzima conversora de angiotensina (ECA). O aumento de angiotensina II estimula a liberação de aldosterona responsável por gerar maior retenção de sódio e água, aumentando a volemia. Isso resulta em maior débito cardíaco e, consequentemente, no aumento da pressão arterial.

Tratamento farmacológico

Os fármacos utilizados irão atuar nesses dois sistemas que regulam o controle da pressão arterial. Entre as classes terapêuticas para o tratamento da hipertensão arterial, tem-se: diuréticos, inibidores adrenérgicos, vasodilatadores, bloqueador dos canais de cálcio, inibidor da enzima conversora de angiotensina, bloqueador dos receptores de angiotensina II e inibidor direto da renina.

Diuréticos

Entre as classes de diuréticos utilizados no controle da pressão arterial, tem-se: os tiazídicos (hidroclorotiazida e clortalidona), de alça (furosemida) e os poupadores de potássio (amilorida, triantereno e espironalactona). O mecanismo de ação inicial dos diuréticos é baseado no aumento da diurese e redução da volemia, o que leva à diminuição da pressão arterial. Deve-se atentar ao uso desses medicamentos por idosos, tendo em vista o maior risco de quedas associado.

Inibidores adrenérgicos

Pode-se subdividir em inibidores adrenérgicos de ação central (clonidina e alfametildopa), antagonistas alfa-adrenérgicos (prazosina e terasozina) e beta-bloqueadores (propranolol e atenolol). A ação desses fármacos se dá pela redução da liberação de noradrenalina e pelo bloqueio de seus receptores principalmente no coração. É importante que não haja a
retirada abrupta desses medicamentos para que não haja uma crise hipertensiva, devendo- se realizar o desmame. Além disso, há a necessidade de avaliar efeitos adversos comuns observados como hipotensão postural e taquicardia reflexa. A alfametildopa é o medicamento de escolha para o tratamento da hipertensão na gestante.

Vasodilatadores

Esses medicamentos produzem relaxamento do músculo liso vascular, primariamente em artérias e arteríolas. Isso ocasiona em diminuição da resistência periférica e, por isso, da pressão arterial. Os principais representantes dessa classe são hidralazina e minoxidil. Devido ao efeito colateral do minoxidil gerar crescimento exagerado dos pêlos, tal medicamento é usado em soluções tópicas para tratamento da alopecia. A hidralazina, por sua vez, é usada em emergências hipertensivas.

Bloqueador do canal de cálcio

Esses fármacos bloqueiam a entrada de cálcio por se ligarem aos canais de cálcio do tipo L no coração e nos músculos lisos dos vasos. Isso ocasiona em relaxamento do músculo liso vascular, dilatando principalmente as arteríolas. Como representantes dessa classes, tem- se: anlodipino, nifedipino, verapamil e diltiazem. Efeitos adversos comuns incluem cefaléia, hipotensão e vertigem.

Inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA)

Tais fármacos bloqueiam a ECA responsável por hidrolisar a angiotensina I para formar a angiotensina II. Ao bloquear a formação de angiotensina II e consequentemente de aldosterona, há uma diminuição da vasoconstrição. A ECA também é responsável pela degradação da bradicinina, um peptídeo que aumenta a produção de óxido nítrico e prostaciclinas nos vasos sanguíneos. O aumento da bradicinina é responsável pelo surgimento da tosse seca em pacientes que fazem uso de captopril, representante dessa classe. Outras alternativas que não causam esse efeito indesejado são: enalapril e ramipril.

Bloqueador dos receptores de angiotensina II (BRA)

Os BRAs como a losartana e valsartana são alternativas aos IECAs. Esses medicamentos bloqueiam os receptores AT1, diminuindo a sua ativação pela angiotensina II. Havendo assim maior bloqueio da secreção de aldosterona, reduzindo a pressão arterial e diminuindo a retenção de sal e água. É importante ressaltar que tais fármacos não devem ser utilizado
juntamente com os IECA devido à similaridade do mecanismo de ação e dos efeitos adversos. Não devem também ser usados por gestantes.

Inibidor da renina

Como representante dessa classe tem-se o alisquireno. Ele atua diretamente na inibição da renina, bloqueando assim os efeitos do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
 

Tratamento não-farmacológico

Para o paciente hipertenso é bastante importante a realização do tratamento não- farmacológico para auxiliar no controle da pressão arterial. As principais medidas são: prática de exercícios físicos, redução do peso corporal, redução da ingestão de sódio e de bebidas alcoólicas, abandono do tabagismo, controle de diabetes e das dislipidemias.

Cuidado farmacêutico ao paciente hipertenso

É importante o acompanhamento farmacoterapêutico do paciente hipertenso, por meio de medidas farmacológicas e não-farmacológicos. De modo a garantir a adesão ao tratamento e o controle dos níveis pressóricos. Algumas medidas que podem ser realizadas para garantir a segurança e eficácia do tratamento são:

  • Integração do farmacêutico à equipe multidisciplinar no acompanhamento dos pacientes hipertensos nos diferentes níveis de atenção à saúde.
  • Verificação dos níveis pressóricos dos pacientes, sendo importante para o acompanhamento do tratamento, rastreabilidade de novos casos, e encaminhamento para a consulta médica quando necessária
  • Orientação farmacêutica quanto a mudanças no hábito de alimentação, prática de exercícios físicos, perda de peso, parar de fumar.
  • Revisão da farmacoterapia, uma vez que muitos pacientes hipertensos utilizam vários medicamentos para o tratamento de outras comorbidades ou patologias.
  • Investigação de possíveis efeitos adversos. Ex: tosse seca do captopril, hipotensão postural, risco de queda
  • Solicitar exames laboratoriais para verificar função renal de pacientes hipertensos quando necessário.

Referências

Malachias MVB, Souza WKSB, Plavnik FL, Rodrigues CIS, Brandão AA, Neves MFT, et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol 2016; 107(3Supl.3):1-83

Vigitel Brasil 2018: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico : estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2018 / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2019

BRUNTON, Laurence L. ((org)). As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman. 12. ed. Rio de Janeiro, RJ: McGraw-Hill, 2012. xxi, 2079 p.

KATZUNG, Bertram G. Farmacologia: básica & clínica. 10.ed. Porto Alegre, RS: AMGH Editora, 2010. xiii, 1046 p.

FARMACOLOGIA ilustrada. 5. ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2013. x, 612 p

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