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Formei! E agora? Como a residência mudou minha história: relato de caso | Colunista

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Eu não sei você, mas depois que sai da graduação, eu não sabia nem por onde começar a ser farmacêutica. Parece que tudo que eu fiz... puff! Desapareceu! Então resolvi avaliar as experiências que tive e resolvi apostar na residência multiprofissional, já que, o estágio hospitalar foi um dos melhores para mim. Acontece que para começar essa jornada eu precisaria passar na prova e eu, definitivamente, não estava preparada.

Durante três meses eu resolvi focar exclusivamente nos estudos para tentar mudar a minha realidade. Meu primeiro passo foi destrinchar o edital dos dois programas de residência disponíveis na minha cidade. Em seguida fui atrás de materiais que pudessem embasar os meus estudos.

Então, comecei a ter dificuldades na organização dos meus horários. Afinal de contas, “só estudar” não é tão fácil e simples quanto muita gente acha que é. Foi aí que eu encontrei uma tabela da Sanar que permitia a determinação de um ciclo de estudos, com tabela de horários disponíveis para lazer, sono e estudo, além de uma planilha maravilhosa para registar os assuntos e as datas de estudo e revisões. Isso foi bem importante para mim, porque, eu não sei você, mas eu só queria estudar as matérias que eu tinha mais facilidade ou que eu gostava mais.

Não vou negar, foi difícil, mas deu certo: passei nas duas provas! Escolhi o hospital que aparentemente traria melhores resultados futuros. Mal eu sabia que a parte complicada de verdade estava apenas começando. Eram 60 horas semanais distribuídas em carga horária prática e teórica e ao final de dois anos eu sairia especialista com 5760 horas acumuladas. Agora imagine, a carga horária de uma pós graduação do MEC precisa ter apenas 360h! Portanto, saiba que são dois anos imersos dentro da realidade hospitalar que você escolheu. Já vou adiantar a resposta para seu principal questionamento de agora: valeu a pena? Sim!

A realidade hospitalar é muito diferente para nós, especialmente, os farmacêuticos. Porque eu não conheço a sua realidade, mas na minha graduação eu não tive muito contato com pacientes, avaliações clínicas e assuntos relacionados. Muitas vezes esses conteúdos eram meramente teóricos. Durante meus estudos eu aprofundei no SUS e fiquei encantada, esse sistema é maravilhoso!

A quantidade de pessoas que não teriam condições de arcar com qualquer tipo de tratamento e que são atendidas é só uma das maravilhas. Voltando ao foco: o farmacêutico no hospital tem uma infinidade de atribuições, mas esse é um assunto para outro dia. Portanto, quando eu comecei a aprender e perceber a quantidade de coisas que eu estaria envolvida eu fiquei encantada. Não dá tempo nem de ficar entediada.

Além disso, como eu disse para vocês, muitos de nós saímos muito despreparados para o mercado de trabalho após a conclusão do curso e a residência é um ótimo começo. Você precisa estar registrado no conselho regional de farmácia do seu estado, porém você estará em um ensino em serviço. Ou seja, você terá acompanhamento para trabalhar na sua profissão e ainda sairá com um diploma de pós graduação!

Sabe o que mais? Eu não conheço nenhum “ex-residente” desempregado. Todos os meus colegas conseguiram emprego na área logo após o término. E cada vez mais o mercado tem exigido equipes multiprofissionais para o tratamento dos pacientes, afinal de contas, ele é um ser integral e diversas análises são necessárias para conseguirmos atender as suas necessidades.

Lembrei de mais uma vantagem. Eu evoluí muito. Não só profissionalmente. Como primeira experiência, em uma ambiente complexo tomado de protocolos, colaboradores, chefes e pacientes não era mais possível continuar sendo a mesma pessoa da graduação. Confesso que é complicado, as vezes dá vontade de largar tudo, mas quando eu avalio o antes e o depois só tenho uma coisa a dizer: força, foco e fé. Fora que você pode aumentar o seu networking, fazer novos amigos, inclusive de outras especialidades e aprender muito. A dinâmica do processo é muito interessante, acredite.

Eu contei isso tudo para vocês porque eu tive dificuldades no início e queria muito ter conhecido ou conversado com alguém que tivesse passado por isso para me ajudar. Minha residência foi de 2017 a 2019 e percebo que a busca e a disponibilidade de vagas para residência tem sido cada vez maior. Então acredito que esse texto pode te ajudar de alguma forma, nem que seja para gerar uma centelha de esperança. E você, o que achou disso tudo que eu relatei? Você está preparado? Aproveite as oportunidades e sucesso!

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