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Manejo farmacoterapêutico da hipertensão em idosos

Manejo farmacoterapêutico da hipertensão em idosos

Palavras-chaves: Farmacoterapia; hipertensão; idosos

O que é a Hipertensão Arterial?

É definida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia como uma condição clínica multifatorial caracterizada pela elevação sustentada dos níveis pressóricos superiores ou iguais a 140 e/ou 90 mmHg (1) .

Quais são os fatores de risco?

A Hipertensão é uma doença multifatorial e isso quer dizer que há inúmeros fatores que podem levar a essa condição clínica ou agravá-la. Dentre elas destacam-se:

  • Idade: Prevalentemente em idosos (2) ;
  • Sexo: A maior prevalência está relacionada à população de mulheres, sobretudo após a menopausa (2) ;
  • Raça/cor: A maior prevalência está relacionada à população de negros (3) ;
  • Obesidade: IMC > 25 kg/m2 (4) ;
  • Ingestão de sal (4);
  • Álcool: Relacionada com a alta ingestão de álcool, sobretudo em homens (4) ;
  • Sedentarismo (5) ;
  • Escolaridade: Adultos com menor nível de escolaridade apresentaram maior prevalência de Hipertensão Arterial, além de ser um dos principais fatores que levam a diminuição da autonomia no tratamento e consequentemente a não-adesão (2) ;

Qual a meta terapêutica no paciente idoso?

Um dos principais erros no seguimento farmacoterapêutico do idoso com hipertensão arterial é estabelecer metas terapêuticas equivalentes a adultos jovens. Este erro é grave, que tem como consequência episódios de hipotensão ortostática, que eleva o risco de quedas. Para isso, a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial estabelece como meta terapêutica para idoso que tenham 80 anos ou mais, pressão arterial menor que 140/90 mmHg (1) .

Como agem os anti-hipertensivos?

Existem inúmeras sub-classes que agem com o objetivo de diminuir a pressão arterial. Para isso, é necessário entender o cálculo da pressão arterial (PA):

PA=Volume plasmático ×Resistencia vascular periférica ×Frequência cardíaca (6)

Como sendo uma multiplicação, é notável que qualquer elevação de um dos fatores presentes no cálculo, resultará na elevação da pressão arterial. Assim, as estratégias farmacológicas disponíveis vão diminuir a pressão arterial através da diminuição desses fatores. A Tabela 1 (7) resume os mecanismos de ação:

 

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Como deve ser feita a monitorização da pressão arterial?

A monitorização da Hipertensão Arterial é através da Monitorização Ambulatorial de Pressão Arterial (MAPA) ou Monitorização Residencial de Pressão Arterial (MRPA). Sempre é recomendável quando se está fazendo rastreabilidade da doença em eventos sociais ou na primeira consulta ao farmacêutico clínico.

O MAPA é a medição ao longo de 24 horas e o MRPA consiste em três medições pela manhã e três pela noite (antes das refeições e da tomada de medicamentos) por 5 dias ou duas dessas sessões por 7 dias. Importante ressaltar que o farmacêutico NÃO realiza diagnóstico, mas pode solicitar o MAPA ou MRPA para o acompanhamento farmacoterapêutico a fim de avaliar segurança, efetividade, adesão e mapeamento da doença na primeira consulta (1) .

Hipotensão em idosos e risco de quedas

Em geral, os idosos dispõem de inúmeros medicamentos que são administrados concomitantemente e podem gerar reações adversas medicamentosas. Quando se trata de anti-hipertensivos, o principal risco é a hipotensão ortostática que está atrelada às quedas e comprometimento da qualidade de vida, pois o paciente torna-se acamado e limita a sua locomoção e independência.

As principais interações com anti-hipertensivos são aqueles que diminuem a vigília do individuo, ou seja, sedativos/hipnóticos, antidepressivos, anti-histamínicos e anticolinérgicos. Outras interações relevantes são aquelas que potencializam o efeito anti-hipertensivo, por exemplo, necessita-se de maiores cuidados quando o idoso faz uso de vasodilatadores direto, β-bloqueadores (por meio da inibição da taquicardia reflexa dos baroceptores) e agentes centrais.

Por fim, os diuréticos também dispõem do risco de queda, pois o indivíduo pode acordar durante o sono noturno para ir ao banheiro e estar com a consciência parcialmente comprometida, assim é necessário recomendações específicas como, manter o ambiente parcialmente iluminado, não levantar abruptamente da cama, interromper a ingestão de fluídos até 1 hora antes de se deitar, retirar tapetes e objetos que possam fazê-lo tropeçar, por exemplo (8) .

Mudanças no estilo de vida

Obviamente, atribuição de dieta e atividade física não faz parte das atribuições de um farmacêutico, para isso pode ser necessário o encaminhamento ao nutricionista e educador físico para mudanças no padrão alimentar e práticas de exercício físico, haja visto que estão relacionados com a melhora da condição clínica, contribuem para o controle da doença e melhoram a qualidade de vida. No entanto, o farmacêutico pode recomendar a cessação do tabagismo e álcool quando forem aplicáveis (1) .

Também deve ser recomendável a elevação da ingestão de água utilizando aplicativos de lembretes, plano de tomada de água (semelhante ao de medicamento), principalmente se fizer uso de diuréticos, pois assim previne desidratação e risco de hipotensão ao longo do dia. Quando houver a recomendação da ingestão de água, é importante ressaltar que o indivíduo deve interromper 1 hora antes de se deitar ou de sair na rua, para evitar as quedas durante o despertar noturno ou o desconforto e constrangimento de se urinar em público (que leva a problemas de adesão e não aceitação desta prescrição).

Principais queixas

As principais queixas relacionadas às terapias anti-hipertensivas são as tonturas pela manhã, quando se administram os medicamentos, ou ao longo do dia, e isso pode estar relacionado com a ingestão em jejum ou dose supraterapêutica, precisando que os horários sejam remanejados ao longo do dia, ajuste de dose ou substituição de medicamento.

Os bloqueadores de canais de cálcio estão relacionados com a ocorrência edema nos membros inferiores, sendo que estes sintomas desaparecem ao longo de 30 dias quando há boa adesão em geral. Caso haja boa adesão e não houver desaparecimento dos sintomas, deve ser encaminhado ao médico para solicitar troca da medicação. As dores nos membros inferiores também são comuns quando se utilizam estatinas, por isso, devem ser analisadas a localização da dor e a temporalidade dos medicamentos.

Aquisição dos medicamentos

Como a terapia anti-hipertensiva, em geral, requer diversos medicamentos, a aquisição destes pode ser um fator que leve ao insucesso da terapia. Para isso, é necessário informar ao paciente como adquiri-los. Os medicamentos anti-hipertensivos fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos do Componente Básico da Assistência Farmacêutica. Para consultar os medicamentos disponíveis do Sistema Único de Saúde, acesse o site http://conitec.gov.br/en/rename18. Desta forma é possível verificar quais medicamentos integram o componente básico, dosagem disponíveis e suas formas farmacêuticas (9).

REFERÊNCIAS

1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. v. 107, n. 3, 2016. Supl. 3.

2. CHOR, D.; RIBEIRO, A.; CARVALHO, M.; DUNCAN, B.; LOTUFO, P.; NOBRE, A. et al. Prevalence, awareness, treatment and influence of socioeconomic variables on control of high blood pressure: results of the ELSA-Brasil Study. PLOS One. v.10, n. 6, e0127382, 2015.

3. ANDRADE, S.; STOPA, S.; BRITO, A.; CHUERI, P.; SZWARCWALD, C.; MALTA, D. Prevale?ncia de hipertensa?o arterial autorreferida na populaça?o brasileira: ana?lise da Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. Epidemiol Serv Saúde. v. 24, n. 2, p. 297-304, 2015.

4. ZHAO, D.; QI, Y.; ZHENG, Z.; WANG, Y.; ZHANG, X-Y.; LI, H-J.; et al. Dietary factors associated with hypertension. Nat Rev Cardiol. v. 8, n. 8, p. 456-65, 2011.

5. SCALA, L.; BRAGA JR, F.; CASSANELLI, T.; BORGES, L.; WEISSHEIMER, F. Hipertensa?o arterial e atividade fi?sica em uma capital brasileira. Arq Bras Cardiol. v. 105, n. 3, p. 20, 2015. Supl. 1.

6. GUYTON & HALL. Tratado de fisiologia médica. 12 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. 1176 p.

7. RANG, H.; DALE, M.; RITTER, J.; FLOWER, R.; HENDERSEON, G. Rang & Dale: Farmacologia. Rio de Janeiro: Elsevier; 2016. 784 p.

8. AMERICAN GERIATRICS SOCIETY BEERS CRITERIA. American Geriatrics Society 2019 Updated AGS Beers Criteria® for Potentially Inappropriate Medication Use in Older Adults. 2019 Ags Beers Criteria® Update Expert Panel. v. 0, n. 0, p. 1- 21, 2019.

9. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: RENAME 2020. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. 217 p.

 

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