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Anestésicos locais em odontologia: quais eu preciso ter no consultório? | Colunista

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A anestesia local age ocasionando perda da sensibilidade pela depressão nas terminações nervosas ou pela inibição da condução nervosa, sem causar no paciente a perda da consciência. A anestesia local deve ter tempo adequado para o procedimento ao qual se destina, mas não pode ser tão longa a ponto de exigir recuperação prolongada. Outro fato é de que ela não pode causar alteração permanente na estrutura dos nervos.

Quando saímos da faculdade, ficamos com inúmeras dúvidas com relação aos principais sais anestésicos que precisamos adquirir para as mais variadas finalidades. Alguns colegas no entanto, utilizam a lidocaína como coringa, e ela realmente o é quando se trata de um anestésico local seguro, eficaz e que pode ser utilizado para os mais variados casos e procedimentos.

Logicamente, é preciso que o profissional tenha consciência sobre a quantidade de anestésico que poderá causar toxicidade, baseando-se no estado de saúde e nutricional do paciente.

Em pacientes gestantes, é preciso evitar o anestésico prilocaína, pois tem uma molécula pequena e o vasoconstritor é a felipressina que pode causar contração uterina. A articaína também tem possibilidade de desenvolver o problema de metemoglobinemia. Também é contraindicado tanto na gestação, para pacientes que estão amamentando, o anestésico mepivacaina devido ao seu metabolismo sercdificultado para o feto, bebê e crianças até os 5 anos.

Para pacientes diabéticos, hepato e nefropatas estão contraindicados prilocaína, lidocaína e articaína devido ao metabolismo e excreção destes fármacos estarem dificultados nestes pacientes, sendo assim, pode ficar muito anestésico livre no plasma, e levar a reações de toxicidade.

Com pacientes que apresentem problemas pulmonares, os anestésicos evitados são prilocaína, pois tem parte de seu metabolismo pulmonar, e então, devido a esta região estar comprometida, pode haver aumento da quantidade do anestésico no plasma, podendo também levar à toxicidade.

Aos pacientes hipertensos, cardiopatas, drogaditos e usuários de antidepressivos tricíclicos deve ser evitado lidocaína com epinefrina pois poderá haver depressão do sistema nervoso.

Para estes pacientes citados, observar que a concentração do vasoconstritor não deve ultrapassar 1:100.000 e a quantidade de tubetes deve ser reduzida, a fim de evitar toxicidade.

Com alérgicos a frutos do mar, evitar anestésicos cujos vasoconstritores são: adrenalina, noradrenalina, levonordefrina e fenilefrina. Usar preferencialmente a prilocaína com felipressina, cujo conservante é o metilparabeno no tubete de plástico e no tubete de vidro não tem conservante.

Lembrar que, devido ao pKa da droga, tender a ser básico, em regiões com processo inflamatório instalado, o anestésico terá seu efeito diminuído.

Pacientes com hipertireoidismo: usar prilocaína com felipressina, pois não tem adrenalina, sendo assim, aumenta o risco de arritmias cardíacas devido à sensibilização do miocárdio.

Resumindo, recomenda-se ter no consultório: Prilocaína 3% com felipressina 0,03 UI – pacientes diabéticos, hipertensos, drogaditos, usuários de antidepressivos tricíclicos, pacientes com hipertireoidismo; Lidocaína 2% com norepinefrina 1:50.000 – gestantes, pacientes com problemas pulmonares; Mepivacaína 2% com epinefrina 0,01 mg/ml – cirurgias de tempo maior; Anestésico tópico – benzocaína 20% – não usar em diabéticos.

O rol de anestésicos logicamente dependerá dos pacientes, suas condições sistêmicas, tempo de anestesia desejada e tipos de procedimentos a serem realizados, enfatizando-se aqui a necessidade de redução da quantidade de tubetes, e utilização da técnica anestésica adequada.

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REFERÊNCIAS

Andrade ED, Ranali J. Emergências médicas em odontologia. São Paulo: Artes Médicas; 2002. 

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Ricci A, Bijela VT, Moraes N. O cirurgião-dentista face às emergências médicas. Parte I Avaliação da capacidade profissional. Rev Paulista Odontol 1989; 3(11):18- 35.

Ricci A, Bijela VT, Moraes N. O cirurgião-dentista face às emergências médicas. Parte II Avaliação dos recursos materiais disponíveis. Rev Paulista Odontol 1989; 4(11):46-51.

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