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Bruxismo e a Covid-19

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Estamos vivendo uma Pandemia e a melhor “arma”, até então, para combatê-la é o isolamento social. Porém, todo esse tempo confinados em casa, nos traz consequências para o nosso organismo. Provavelmente, uma dessas consequências que escutaremos de nossos pacientes será que adquiriu ou aumentou o hábito de apertar ou ranger os dentes, o nosso conhecido bruxismo.

Pois é! O bruxismo é uma parafunção caracterizada pelo contato não funcional dos dentes, que pode ocorrer de forma consciente ou inconsciente. Não é uma doença, mas quando exacerbada pode levar a um desequilíbrio fisiopatológico do sistema estomatognático. O bruxismo diurno é semi voluntário, frequentemente relacionado a períodos de estresse. Já o bruxismo noturno ocorre durante o sono e é involuntário, podendo estar associado a distúrbios do sono e tem menos relação com transtornos de humor. Estudos do sono sugerem que é mais complexo do que pode parecer ao registrar uma série de mecanismos cerebrais que acontecem mesmo antes do contato dos dentes ocorrer e interfere negativamente no sono ao causar micro despertares e alterar a atividade autonômica, cardíaca e respiratória.

O bruxismo mais brando é mais comum do que se imagina e afeta tanto crianças quanto adultos. Na população mundial, cerca de 30% das pessoas têm essa condição, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, dados oficiais apontam que o problema atinge 40% da população.

Os sons produzidos pela fricção dos dentes normalmente são percebidos pelo companheiro e, de maneira geral o diagnóstico sempre é tardio, quando o dente já sofreu algum desgaste. Entre os efeitos indesejáveis resultantes desse distúrbio estão: dor de cabeça e cervical, sintomas otológicos (zumbido, sensação de ouvido tampado, dor de ouvido), desgaste e fraturas dentárias, retração gengival, lesões de língua e mucosa oral, mobilidade dentária, limitação da abertura oral, desordens temporomandibulares e dor miofascial (que atrapalha para falar e mastigar). Apesar das crises variarem de uma pessoa para outra, é fundamental o acompanhamento de um especialista. Há, ainda, casos de bruxismo assintomáticos e as pessoas só percebem com o tempo ou quando vão a uma consulta de rotina no dentista.

A origem desse hábito parafuncional é multifatorial e envolve:

  • Predisposição genética
  • Presença de distúrbios do sono
  • Estressantes psicológicos
  • Doenças neurológicas (doença de Huntington, Parkinson)
  • Refluxo gastroesofágico
  • Uso de algumas substâncias (cafeína, nicotina, medicamentos ansiolíticos e estimulantes gastroesofágico)

Estresse e ansiedade são portas de entrada para a disfunção. Assim podemos entender porque no meio da pandemia do coronavírus, na qual é natural sermos bombardeados de informações que aumentam nossa ansiedade e causam estresse, nosso corpo tem hábitos involuntários que, podem sim, estar relacionados a situações do nosso cotidiano e o bruxismo é uma delas. Mesmo que a causa específica da doença não esteja clara, os especialistas vinculam o problema a situações de estresse, tensão, frustração e ansiedade. O estilo de vida atribulado e os problemas que afetam nossa vida direta ou indiretamente, como a pandemia do coronavírus, por exemplo, interferem no nosso emocional de uma forma que, até na hora de dormir, não conseguimos controlar a tensão.

O tratamento do bruxismo é focado em reduzir a dor e preservar os dentes. A placa dentária em acrílico é indicada na maioria dos casos. O uso desse tipo de dispositivo para dormir é feito sob medida para encaixar entre os dentes protegendo os do impacto. Apesar de não ter cura, as placas auxiliam na melhora dos sintomas.

Medicamentos como gabapentina e buspirona são indicadas em alguns casos e o uso de relaxantes musculares e benzodiazepínicos podem ser usados somente por períodos breves, por questões de segurança.

Outra alternativa é a aplicação do botox, que no caso do bruxismo é utilizado com fins terapêuticos. A substância promove relaxamento muscular e automaticamente a diminuição de dores. Em determinados casos a paralização do músculo pode ser benéfica trazendo uma sensação de alívio ao paciente e diminuindo até o uso de medicamentos para dor ou inflamação.

A procura de atividades de relaxamento, que auxiliam no combate do estresse cotidiano também pode contribuir para o controle do bruxismo. Apesar do transtorno não ser perigoso, pode causar danos permanentes. Por isso é importante sempre consultar um especialista para que após a conclusão do diagnóstico, a melhor forma de tratamento seja indicada.

Por hora, em tempos de “confinamento em casa”, a melhor dica é buscar formas de relaxar e diminuir a ansiedade. A leitura leve, filmes, jogos de diversão, meditação, prática de ioga, usar técnicas de relaxamento para respiração, recorrer a massagens e escutar música antes de dormir são atividades que causam prazer e relaxamento, por exemplo. Se não funcionar, há alguns tratamentos psicológicos que podem ajudar, como as terapias congnitivas ou comportamentais, que trabalham a ligação entre o pensamento e o comportamento.

REFERÊNCIAS :

  • Rev. Bras. Odontol. vol.72 no.1-2 Rio de Janeiro Jan./Jun. 2015: “Bruxismo e sua relação com o sistema nervoso central: Revisão de Literatura”
     
  • Dental Press J Orthod 2011 Mar-Apr;16(2):58-64. “Bruxismo do sono: possibilidades terapêuticas baseadas em evidências”
     
  • https://www.neurologica.com.br/blog/bruxismo-causas-e-principais-opcoes-de-tratamento/
     
  • https://www.bbc.com/portuguese/amp/geral-40650491
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