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Câncer oral: se você não o viu, cuidado! | Colunista

Câncer oral: se você não o viu, cuidado! | Colunista

Ouço essa frase desde quando eu estava nos bancos da faculdade, e isso foi na década passada! As estimativas do número de lesões de câncer de boca e orofaringe só aumentaram nos últimos anos, então se você não o viu, com certeza, ele já te viu! E ai está o NOSSO GRANDE PROBLEMA, não ver as lesões malignas ou suspeitas de malignidade.

Segundo, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para cada ano do triênio 2020/2022 sejam diagnosticados no Brasil 15.190 novos casos de câncer de boca e orofaringe (11.180 em homens e 4.010 em mulheres). Esses valores correspondem a um risco estimado de 10,69 casos novos a cada 100 mil homens, ocupando a quinta posição; e, de 3,71 para cada 100 mil mulheres, sendo o 13º mais frequente entre todos os tipos de cânceres, diante dessa frequência, há uma grande possibilidade de alguma lesão ter passado desapercebida, por nós cirurgiões dentistas. E ISSO NÃO PODE ACONTECER!

Mas, o que é o câncer?

Nosso corpo humano é todo formado por inúmeras células que se organizam em tecidos e órgãos. As células normais se dividem, amadurecem e morrem, renovando- se a cada ciclo. O câncer se desenvolve quando células anormais deixam de seguir esse processo natural, sofrendo mutação que pode provocar danos em um ou mais genes de uma única célula.

Os genes são segmentos do DNA, que controlam as funções normais das células, quando, por algum motivo, o DNA é danificado, a célula se divide descontroladamente e produz novas células anormais. Se falham os sistemas de reparo e imunológico na tarefa de destruir e limitar essas células anormais, as novas vão se tornando cada vez mais anormais, e originando células cancerosas (Brasil, 2016). Vejamos esse esquema simplificado:

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O câncer então é um desordenado de células, sendo responsável por mais de 12% de todas as causas de óbito no mundo: mais de 7 milhões de pessoas morrem anualmente da doença. Como a esperança de vida no planeta tem melhorado gradativamente, a incidência de câncer, estimada em 2002 em 11 milhões de casos novos, alcançará mais de 15 milhões em 2020.

E o câncer de boca?

O câncer da cavidade oral aparece na 12º posição entre os tipos mais frequentes da doença no Brasil, sendo o 5º mais comum considerando apenas homens, que representam mais de 70% dos casos (INCA).

Segundo, AC Camargo, as idades com maior risco é a dos 50 aos 60 anos, isso porque a incidência do tabagismo, uma das principais causas da doença, outros fatores de risco são:

  • Fumo: usuários de tabaco representam 80% dos casos de câncer de boca e o risco é proporcional à quantidade de fumo consumida. A chance de essas pessoas desenvolverem câncer de boca é de seis a 16 vezes maior que entre as não fumantes.
  • Álcool: o consumo de bebidas alcoólicas é um fator de risco importante, principalmente, entre os chamados bebedores pesados, que bebem mais de 21 doses de álcool por semana. O risco é seis vezes maior para quem não bebe. Além disso, o álcool potencializa a ação do tabaco.
  • Idade: o risco de câncer bucal aumenta com a idade.
  • Sexo: dois terços dos pacientes são homens.
  • Sexo oral e HPV: a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) pode causar câncer de boca. Por isso, é importante usar preservativo durante a prática. (Lembre-se, hoje já temos vacina para o HPV!!!)
  • Irritações da mucosa bucal: dentaduras, pontes e coroas precisam ser avaliadas periodicamente pelo dentista; as dentaduras devem ser removidas e limpas todas as noites.
  • Imunossupressão: pessoas que tomam drogas imunossupressoras, para evitar a rejeição de um transplante, por exemplo, também podem ter risco aumentado para câncer de boca.
  • Exposição ao sol: grande parte dos pacientes com câncer de lábio são profissionais que trabalham ao ar livre, expostos à radiação ultravioleta do sol. Protetor labial com filtro solar ajuda na prevenção.
  • Alimentação: dietas pobres em frutas, legumes e verduras também estão associadas a maior risco de câncer de boca.

E o diagnóstico?

Um dos grandes problemas a serem vencidos, é o diagnóstico tardio. Na maioria dos casos, a lesão de câncer oral não apresenta sintomas nos estágios iniciais, por isso a visita ao dentista é essencial!

Os primeiros índicios do câncer bucal incluem manchas brancas ou vermelhas na mucosa da boca, aumento de volume em regiões da boca, cabeça e pescoço e feridas semelhantes a aftas, que não cicatrizam após 15 dias.

O diagnóstico precoce está diretamente relacionado as possibilidades terapêuticas, sobrevida e qualidade de vida do paciente com câncer oral.

Nós como profissionais de saúde, temos como responsabilidade, conseguir diagnosticar quaisquer lesões sugestivas de malignidade, e encaminhá-lo para tratamento.

Por que devo me preocupar, se eu cirurgião dentista, nunca vi um câncer oral?

Porque há grandes chances dele já ter te visto! Em outras palavras, é bem possível que a lesão inicial já tenha aparecido na cadeira do seu consultório e passou desapercebido!

Portanto, fique atento! Seja minucioso nos exames clínicos e dê a oportunidade de cura e tratamento ao seu paciente!

Todo paciente é o amor de alguém!

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Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância. A situação do câncer no Brasil/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Instituto Nacional de Câncer, Coordenação de Prevenção e Vigilância. -Rio de Janeiro: INCA, 2006.

International Union Against Cancer (UICC).

Instituto Nacional de Câncer -INCA Coordenação de Prevenção e Vigilância -Conprev

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