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Falando de emergências médicas em consultório odontológico | Colunista

Falando de emergências médicas em consultório odontológico | Colunista

Muitos profissionais da Odontologia se deparam diariamente com problemas relacionados a emergências médicas em Consultório Odontológico, e talvez não sabem como agir perante eles. A formação profissional deveria conter passos a favorecer identificação, diagnóstico e nortear os caminhos para a melhor resolução das emergências. Seguem abaixo orientações para algumas emergências em consultório odontológico.

LIPOTIMIA

É a sensação de desmaio ou perda de consciência, com conservação das funções respiratória e cardíaca.

Sinais e sintomas: palidez, suores frios, vertigem, zumbido, sensação de desmaio.

Como prevenir: o consultório odontológico é área de estresse. Cuidar com: elementos estressores: barulhos em excesso, uso de perfumes, calor ou frio demasiados.

Se ocorrer: manter a calma, parar o que estava sendo realizado, manter o paciente em posição de Trendelembug, deixar a cabeça do paciente acomodada lateralmente, monitorar sinais vitais, manter ventilação.

SÍNCOPE

É o nome científico ao popularmente denominado desmaio. Ocorre quando a pessoa perde a consciência do momento presente, perde tonicidade muscular. Sua causa é devido à diminuição da oxigenação encefálica.

Sinais e sintomas: sudorese, calafrios, visão turva, perda de consciência.

Como prevenir: seguir os mesmos cuidados relatados anteriormente

Se ocorrer: manter a calma, parar o que estava sendo realizado, colocar o paciente em posição de Trendelemburg, estando a cabeça mais baixa que o restante do corpo, a fim de melhorar a oxigenação e circulação cerebrais, melhorando também o retorno venoso dos membros inferiores. Deixar a cabeça do paciente acomodada lateralmente, porque, se ocorrer emese, esse não venha a ser deglutido. Monitorar sinais vitais, aferindo pulso, pressão arterial e a saturação de oxigênio.

CONVULSÃO

Fenômeno de descarga bioenergética anormal resultando em tonicidade exacerbada da musculatura esquelética. Caso sejam fenômenos frequentes, são denominados de epilepsia.

Sinais e sintomas: contração involuntária da musculatura esquelética, desvio no olhar e tremores.

Como prevenir: cuidado com os estressores do consultório, em especial os focos de luz, que devem desviar do olho do paciente, pois eles podem desencadear as crises.

Se ocorrer: manter a calma, parar o que estava sendo realizado, manter o paciente em posição supina (deitado), afrouxar roupas apertadas, proteger a cabeça com pequeno travesseiro, lateralizar a cabeça do paciente levemente, para que a saliva possa escorrer, eliminar saliva em excesso, por meio do sugador, remover algodão, gaze, e outros, que tenham permanecido na boca do paciente. Quando o paciente voltar, é muito interessante levá-lo a um centro hospitalar porque nova crise pode ser desencadeada.

ANGINA PECTORIS

Inabilidade temporária das artérias coronárias de suprirem o miocárdio com sangue oxigenado, a causa mais comum é a aterosclerose.

Sinais e sintomas: durante estresse físico ou emocional, paciente relata dor subesternal moderada, pressão arterial diminuída, pulso fraco.

Se ocorrer: manter a calma, conversar com o paciente, diminuir estressores, administrar isordil® sublingual para a reversão do quadro, realizar por três vezes, com intervalo de 5 minutos entre uma administração e outra.

CRISE HIPERTENSIVA

Ocorre em pacientes hipertensos que estejam sob estado de estresse ou ansiedade, com risco de morte e lesões em órgãos-alvo. Pode ser: urgência hipertensiva ou emergência hipertensiva. A urgência ocorre com a elevação da pressão arterial diastólica igual ou acima de 120 mmHg, sem sintomas graves e sem risco a vida ou a órgão-alvo, mas se não tratada, pode evoluir a complicações graves. A emergência hipertensiva ocorre quando existe comprometimento vascular e de órgãos-alvo, com descompensação das funções orgânicas normais e com risco iminente de morte ou lesão orgânica irreversível.

Sinais e sintomas: encefalopatia, complicações cardiovasculares como IAM, angina,

Se ocorrer: manter a calma, diminuir estressores, monitorar pressão arterial oximetria e pulso, solicitar SAMU.

INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO (IAM)

Necrose isquêmica de uma área do miocárdio, por fechamento de artéria coronária. Os pacientes de risco para desenvolvimento do IAM são do sexo masculino, tabagistas, portadores de DM e HAS e que tenham história familiar deste problema.

Sinais e sintomas: similares aos da angina, porém mais intensos. A dor pode irradiar para braço esquerdo, mandíbula, pescoço, ombro e região epigástrica.

Se ocorrer: manter a calma, conversar com o paciente, diminuir estressores, ligar para o SAMU, administrar oxigênio, administrar morfina, monitorar pressão arterial, pulso e saturação de oxigênio.

CHOQUE CARDIOGÊNICO

Inadequada perfusão tecidual e oxigenação secundária a uma patologia cardíaca, podendo estar ligada ao estresse do atendimento odontológico ou administração de anestésicos locais.

Sinais e sintomas: palidez, taquicardia, hipotensão, alteração do estado mental, pode levar a depressão respiratória e IAM

Se ocorrer: manter a calma, diminuir estressores, administração de atropina sublingual ou intravenosa, checagem de pulso e pressão arterial. Se ocorrer perda de consciência, administrar epinefrina intravenosa lentamente e solicitar SAMU.

ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO

Déficits neurológicos específicos em região encefálica. Pode ser isquêmico ou hemorrágico. O isquêmico ocorre quando há obstrução arterial por embolia ou trombose, com suspensão do fluxo sanguíneo em local especifico do encéfalo. Já o hemorrágico se mostra por uma ruptura de vasos sanguíneos em região encefálica, que leva a hemorragia.

Sinais e sintomas: perda de expressão facial, fala confusa, alteração no estado de consciência, perda do equilíbrio e coordenação motora

Se ocorrer: manter a calma, monitorar pressão arterial, pulso e oximetria, mensurar glicemia, oferecer oxigênio, solicitar SAMU.

PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR)

A Parada Cardiorrespiratória é um evento de morbidade e mortalidade elevadas. As causas da PCR são: hipovolemia, hipóxia, hipotermia, hipercalemia e hipocalemia, acidose metabólica

Sinais e sintomas: inconsciência, ausência de pulso, ausência de movimentos respiratórios (apneia, respiração agônica (gasping).

Se ocorrer: manter a calma, solicitar apoio do SAMU enquanto proceder com a Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP), que é uma sequência de manobras e procedimentos que visam manter circulação cerebral e cardíaca. Avaliar a responsividade do paciente, avaliar respiração e pulso simultaneamente por 10 segundos, solicitar também o desfibrilador, proceder na seguinte sequência, de acordo com as normas da “atualização da diretriz de ressuscitação cardiopulmonar e cuidados cardiovasculares de emergência da sociedade brasileira de cardiologia – 2019”: compressões torácicas de alta qualidade (de 100 a 120 compressões por minuto, profundidade de 5 cm, vias aéreas abertas, boa ventilação.

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REFERÊNCIAS

BERNOCHE, Claudia et al. Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia – 2019. Arq. Bras. Cardiol.,  São Paulo,  v. 113, n. 3, p. 449-663,  Sept.  2019. Available from.access on  25  May  2020.  Epub Oct 10, 201

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos de Intervenção para o SAMU 192 – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

Gaujac C, Oliveira AN, Barreto FAM, Salgado LM, Oliveira MS, Girão RS. Reações alérgicas medicamentosas no consultório odontológico. Revista de Odontologia da Universidade Cidade de São Paulo 2009 set-dez; 21(3): 268-76.

Mayhew D, Mendonca V, Murthy BVS. A review of ASA physical status – historical perspectives and modern developments. Anaesthesia 2019; 74:373-9

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