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Laminados cerâmicos: Devolvendo a harmonia do sorriso | Colunista

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RESUMO

A procura pelo sorriso perfeito é cada vez mais presente durante os tratamentos odontológicos. Os laminados cerâmicos tem se apresentado como uma excelente opção para se conseguir um sorriso mais harmonioso e que satisfaça as exigências atuais. As reabilitações com laminados cerâmicos são atrativas por ser um tratamento que pode restabelecer a estética de forma natural, com um preparo dentário, na medida do possível, minimamente invasivo. Deve ser avaliado cada caso em suas particularidades, elaborar planejamento e plano de tratamento visando à longevidade do trabalho aliando estética e harmonia do sorriso.

INTRODUÇÃO

A ideia de utilizar laminados cerâmicos surgiu no ano 1938, pelo doutor Charles Pincus, nos estúdios de Hollywood como materiais para melhorar a estética dos dentes anteriores dos atores, estes eram unidos aos dentes com um pó (adesivo) para prótese total e eram usados de forma temporária. Como na época ainda não havia um sistema adesivo que fixasse o material ao dente, o tratamento estético ficou sem grandes evoluções por um longo tempo (CONCEIÇÃO, 2010).

O desenvolvimento de sistema adesivo e condicionamento ácido, e alguns anos depois a adição do condicionamento com ácido hidrofluorídrico e silanização em alguns tipos de cerâmicas tornaram a técnica possível. Ocorrendo por volta das décadas de 80 - 90, a reabilitação com laminados cerâmicos, pelo processo de adesão entre o cimento resinoso e a cerâmica (CALAMIA et al., 2007; KELLY, BENETTI, 2011; AQUINO E SILVA NETO, 2020).

Os procedimentos usando laminados cerâmicos foram sendo mais procurados por conseguirem preservar a integridade da maior parte dos tecidos dentários, e principalmente por proporcionar harmonia e estética do sorriso (FRANCCI et al., 2014).

Os laminados cerâmicos têm demonstrado ser uma excelente opção devido as suas características de: resistência, variedade de cores, boa longevidade e biocompatibilidade, que os aproximam funcionalmente e esteticamente aos dentes naturais (SOUZA, NETO, OLIVEIRA, 2016).

Para realização do tratamento é necessário avaliar se o dente precisará ou não de preparo, escolher a melhor conduta de acordo com cada caso, o preparo deverá ser mais conservador possível, 0,3 a 0,5 mm de espessura com término em esmalte, preservando a estrutura dental (SHETTY, KAIWAR, SHUBHASINI, 2011; LIMA et al., 2013).

As vantagens dos laminados cerâmicos vão além da estética, por terem um coeficiente de dilatação térmica parecido com o órgão dental. Quando comparado a outros materiais, são menos susceptíveis ao desgaste, retém menos placa bacteriana, e dificilmente adquirem manchas (CASTRO et al.,2000).

A longevidade do tratamento não depende apenas da técnica usada pelo profissional, é preciso à contribuição do paciente com uma correta higienização bucal. Sendo assim, haverá grande chance de o laminado ter grande durabilidade (GUREL, 2007).

MÉTODOS

O presente estudo é uma revisão integrativa da literatura bancos de dados online Medline/PubMed, Scielo Web of Science foram utilizados para pesquisa. Os critérios de elegibilidade incluíram artigos disponíveis na íntegra nas bases de dados pesquisadas, em inglês e português. As palavras-chave usadas para a busca: Cerâmicas; Odontologia; Estética; Estética Dentária. Foram considerados como critérios de inclusão artigos que abordavam os descritores citados com publicações de Janeiro de 2000 a Junho de 2020. Os critérios de exclusão, estudos cujos idiomas divergissem do inglês e português, datados fora do intervalo de tempo escolhido e descontextualizados com os descritores.

RESULTADOS

Breve histórico dos laminados cerâmicos

Em 1938, o dentista americano Charles Pincus, para atender pacientes, maioria artistas de cinema, introduziu uma técnica em que laminados cerâmicos de fina espessura eram unidos aos dentes, sem qualquer preparo, com um pó para fixação de prótese total. Sem uma cimentação adesiva adequada, eram removidos após filmagens, pois a técnica era pouco duradoura (CALAMIA et al., 2007; BARATIERI, 2008).

Os materiais mais utilizados para fabricar os laminados são as cerâmicas à base de feldspato, dissilicato de lítio e leucita (ZAVANELLI, 2017). As porcelanas a base de feldspato têm boas características, permitem a confecção de laminados de espessura muito fina, quase translúcidos, permitindo aparência natural, preserva o esmalte na preparação do dente. A fina espessura torna o laminado difícil de encobrir as alterações de cor (ALOTHMAN, 2018).

O acréscimo de leucita levou ao aumento da resistência, diminuição da tensão e evita rachaduras. Sua estrutura ainda que mais delgada traz ótimo resultado estético pela alta translucidez, opalescência e fluorescência. Já o acréscimo de dissilicato de lítio possibilitou uma refração de luminosidade parecida com a do esmalte, além de reduzir a propagação de trincas, o material tem resistência superior a leucita e ao feldspato devido a sua matriz entrelaçada (SKRIPNIK et al, 2016).

Indicações e contraindicações

São indicações para tratamento com laminados cerâmicos: problemas com cor dos dentes, correções de imperfeições como forma, angulação, alinhamento no arco dental, dentes traumatizados, dentes que passaram por clareamento e não obtiveram sucesso (KELLY, BENETTI, 2011; SILVA, 2015; MATOS et al., 2020).

Não é recomendado o tratamento nos casos de dentes apinhados, em oclusão tipo topo-a-topo, bastantes vestibularizados, pacientes com hábitos parafuncionais, doenças periodontais, bruxismo ou apertamento dental. Quando não possuem quantidade de esmalte dentário necessário para realização de preparo adequado (SKRIPNIK et al, 2016; AQUINO E SILVA NETO, 2020).

Manutenção

A periodicidade da manutenção e retorno do paciente deve ser analisada pelo cirurgião dentista verificando atentamente o risco de doença periodontal, alterações oclusais, controle da placa bacteriana e o risco de cárie. É de total importância que o profissional tenha um contato com seu paciente de dois em dois meses, depois da
finalização do tratamento restaurador (OLIVEIRA, 2018, MATOS et al., 2020).

Durante manutenção deve ser observado se houve alguma alteração como presença de excesso de materiais nas restaurações existentes, orientar sobre higiene e autocuidado, no caso de cálculo dental e removê-los com instrumento manual, pois aparelhos ultrassônicos podem trincar ou comprometer a cimentação, realizar reparo da restauração, quando necessário (COSTA, 2015; OLIVEIRA, 2018).

Durabilidade

As cerâmicas têm boa durabilidade, esta depende dos fatores físico-mecânicos dos materiais, a forma que foi processada e quando em função as cargas que lhes são expostas decidirão sua longevidade (KELLY, BENETTI, 2011).

Os laminados cerâmicos devem ser bem planejados, escolher a melhor técnica e individualização do protocolo para cada caso em tratamento (TERRY, GELLER, 2014).

Um preparo conservador e limitado a estrutura do esmalte dental deixa o laminado com alta resistência de união, fundamental a preservação da estrutura, a adesão e longevidade do tratamento (DIAS, 2015).

Avaliar as contraindicações para o tratamento, pois são fatores que diminuem a longevidade do material, dentre eles, os hábitos parafuncionais, uma oclusão equilibrada fornece sucesso para o tratamento (AQUINO E SILVA NETO, 2020).

Altos índices de sucesso são mostrados através de estudos e comprovam o quão excelente é a longevidade do material, proporcionando sucesso nos tratamentos restauradores estéticos (KELLY, BENETTI, 2011).

Diante disso, estudos mais específicos são feitos com outros tipos de materiais para que se alcance cada vez mais a excelência e aceitação do paciente. A longevidade comprovada em muitos estudos torna o procedimento cada vez mais procurado e acarreta uma preocupação dos cirurgiões-dentistas em se especializarem nas áreas de dentística restauradora e prótese fixa (CHAIN, ALEXANDRE, 2013).

CONCLUSÃO

A busca pelo belo e harmônico tem sido uma corrida intensa na sociedade atual, um belo e harmonioso sorriso resgata a autoestima das pessoas. Diante disso, tratamentos com os laminados cerâmicos estão sendo bastante procurados nos consultórios odontológicos.

A odontologia está em busca contínua para inovar com materiais e técnicas que possibilitem procedimentos restauradores que se assemelham aos dentes naturais, ofertando boa longevidade e com mínimo desgaste da estrutura dentária. A reabilitação estética e funcional com laminados cerâmicos quando bem planejada, aplicação de técnica correta, seguir protocolos de preparo, cimentação e ajustes, é uma ótima opção de tratamento.

Matérias relacionadas:

REFERÊNCIAS:

ALOTHMAN, Y. The Success of Dental Veneers According To Preparation Design and Material Type. Macedônia Journal of Medical Science, v. 6, n. 12, p. 2402-2408, 2018.

AQUINO E SILVA NETO, J. M. et al. Facetas cerâmicas: uma análise minimamente invasiva na odontologia. Rev. Eletrônica Acervo Saúde. v. n. 48, 2020.

BARATIERI, L. N.; GUIMARÃES, J. Laminados cerâmicos. In: BARATIERI, L. N.; MONTEIRO, S. M.; et al. Soluções clínicas: fundamentos e técnicas. Santa Catarina: p. 314-375, 2008.

CALAMIA, J. R. et al. Porcelain laminate veneers: reasons for 25 years of success. Dental Clinics North America. V. 51, Issue 2, p. 399-417.Philadelphia. Apr, 2007.

CASTRO, J. C. M. et al. Facetas laminadas em porcelana: uma opção estética para o clinico geral. Revista da Unimep. Piracicaba, v. 12, n. 1, p. 24-27. 2000.

CHAIN, M. C.; ALEXANDRE, P. Cerâmicas Odontológicas. In: Materiais Dentários. São Paulo: Editora Artes Médicas, 2013.

CONCEIÇÃO, N. E. Dentistica: Saúde e Estética. 2.ed. São Paulo: Artmed Editora S.A., 2010.

COSTA, L. T. Laminados cerâmicos com diferentes preparos da estrutura dentária: uma revisão de literatura. Porto Alegre, 33p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Odontologia) – PUCRS, 2015.

DIAS, R. M. Restaurações Parciais Cerâmica em Dentes Anteriores. Santa Catarina,48p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Odontologia) - Universidade Federal de Santa Catarina, 2015.

FRANCCI, C. E., et al. Harmonização do sorriso. Meeting Internacional de Odontologia Estética ABO-SP; 1-38, 2014.

GUREL, G. Porcelain Laminate Veneers: minimal tooth preparation by design. Dent Clin North Am, v.51, n.2, p. 419-431, 2007.

KELLY, J. R.; BENETTI, P. Ceramic materials in dentistry: historical evolution and current practice. Aust. Dent J., Sydney, 2011.

LIMA, R. B, W. et al Reabilitação estética anterior pela técnica do facetamento – relato de caso. Rev Bras Ciênc. Saúde, v. 17, n. 4, p. 363- 370, 2013.

MATOS, K. F. et al. Laminados cerâmicos utilizando a técnica indireta: revisão de literatura. Brazilian Journal of Sugery ad Clinical Resarch, v.31, n.2, PP. 122-126. Paraná, 2020.

OLIVEIRA, F. P. Vantagens e limitações do uso das lentes de contato dental: revisão de literatura. Bahia Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Odontologia) - Faculdade Maria Milza, 2018.

RADZ, G. M. Minimum thickness anterior porcelain restorations. Dent Clin N Am, p. 353- 370, 2011.

SILVA, A.C. Facetas cerâmicas. TCC (Graduação) Universidade Federal de Santa Catarina, 2015.

SHETTY, A.; KAIWAR, A.; SHUBHASHINI, N.  Survival rates of porcelain laminate restoration based on different incisal preparation designs: An analysis, Conserv. J. Dent., V. 14, 2011.

SKRIPNIK, N. N. Cerâmicas para facetas em dentes anteriores: uma revisão de literatura. TCC (Graduação) Universidade Federal de Santa Catarina, 2016.

SOUZA, M. S.; NETO, O. I.; OLIVEIRA, R. S. Laminados cerâmicos – um relato de caso. Revista Pró-UniverSUS, Jul./Dez.; 07 (3): 43-46, 2016.

TERRY, D. A.; GELLER, W. Odontologia Estética Restauradora: Seleção de Materiais e Técnicas. 1. ed. Estados Unidos: Editora Quintessence, 2014.

ZAVANELLI, A. C. Previsibilidade do tratamento estético com lentes de contato cerâmicas. Arch Health Invest, v. 6, n.12, p. 598-603, 2017.

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