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Lasers de alta e baixa potência na Odontologia: da analgesia à ação em tecidos duros | Colunista

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A palavra LASER vem do acrônimo em inglês Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation que significa amplificação da luz por emissão estimulada de radiação (KUTSCHU, 1993; JORGE; CASSONI; RODRIGUES,2010). A luz ou radiação eletromagnética de um laser se caracteriza por ser um fluxo luminoso altamente colimado, com feixes paralelos de alta intensidade de energia e altamente concentrados (JORGE; CASSONI; RODRIGUES,2010).

O laser é uma radiação eletromagnética que pode ser caracterizada pelo seu comprimento de onda (λ) específico, o qual está localizado numa faixa do espectro que não produz reações mutagênicas (KUTSCHU, 1993).

Além disso, a interação tecidual é definida pelo comprimento de onda de cada laser, que desencadeia efeitos físico-químicos entre a estrutura irradiada e a energia dos fótons, podendo seguir quatro caminhos: reflexão, absorção, espalhamento e transmissão (KUTSCHU, 1993). Logo, a escolha do tipo de laser deve ser realizada em função do tipo de interação que se quer alcançar com o tecido alvo e, também, do tecido alvo que se deseja interagir (JORGE; CASSONI; RODRIGUES,2010).

Os aparelhos de laser são nomeados a partir do meio ativo e classificados de acordo com a potência de emissão de radiação (GENOVESE, 2000; NEVES et al.,2005). Neste artigo, iremos falar dos lasers de alta e baixa potência, pois são os que apresentam maiores implicações na Odontologia

1- LASER DE ALTA POTÊNCIA

Os lasers de alta intensidade emitem radiação de alta potência, assim, possuem um potencial destrutivo com ação fototérmica de corte, vaporização, coagulação e esterilização dos tecidos, desse modo, viabilizando o seu uso tanto em tecido duro quanto mole (GENOVESE, 2000; JORGE et al.,2010).

Alguns exemplos de lasers de alta potência bastante utilizados na Odontologia são os de diodo, CO2 e érbio (NEVES et al.,2005; JORGE; CASSONI; RODRIGUES,2010). Valendo lembrar que de acordo com suas características, como o comprimento de onda, a potência, a forma de emissão e a afinidade, irá ocorrer uma interação de maneira diferente com tipos de tecidos diferentes (MOREIRA et al.,2002).

Assim, em tecidos moles são utilizados para incisões e homeostasia, pois possuem uma boa absorção por pigmentos e sangue; e atuam por vaporização (JORGE; CASSONI; RODRIGUES,2010). Já nos tecidos duros, atuam por ablação, em que a energia do laser é absorvida pela água e pela hidroxila da hidroxiapatita, assim, causando um rápido aquecimento e aumento de volume, o que resulta em altas pressões internas que levam à remoção do substrato na forma de microexplosões (HIBST; KELLER, 1989).

Neste artigo, iremos entender um pouco melhor sobre os lasers de érbiodiodo de alta potência.

1.1 LASER DE DIODO DE ALTA

O laser de diodo consiste em um meio ativo sólido, constituído por um semicondutor (LARREA-OYARBIDE et al.,2004). O laser de diodo ao entrar em contato com o tecido irá carbonizar, coagular e estimular. O mesmo tem afinidade por tecidos pigmentados, vascularizados e necróticos (SANTOS et al.,2007). Devido à seu tamanho pequeno e ao seu baixo custo, atualmente, é um dos lasers mais utilizados na Odontologia (LARREA-OYARBIDE et al.,2004). 

As aplicações desse tipo de laser estão relacionadas ao seu efeito bactericida, logo, podendo ser utilizado na descontaminação de bolsas periodontais, na periimplantite, no tratamento endodôntico, na herpes labial, no trans e pós- cirúrgico (LARREA-OYARBIDE et al.,2004).

Já as suas indicações cirúrgicas mais recorrentes em tecidos moles envolve casos de gengivoplastia e gengivectomia (LARREA-OYARBIDE et al.,2004), frenectomia (SANTOS et al.,2007) e coagulação de lesões vasculares (GENOVESE et al., 2010).

Além disso, sua ação nos tecidos duros é capaz de promover uma alteração morfológica, como na formação do melting, que nada mais é que o derretimento do esmalte, assim, formando um selante natural auxiliando na prevenção de cárie (SOUZA; AZEVEDO, 2007). Além de proporcionar um aumento na resistência ácida do esmalte (SOUZA; AZEVEDO, 2007).

1.2 LASER DE ÉRBIO

Os lasers de érbio destacam-se por possuir alta afinidade pela água e hidroxiapatita, sendo altamente absorvidos pelos tecidos duros dentais. Os benefícios do uso dos lasers de érbio no esmalte, na dentina e na remoção seletiva do tecido cariado estão associados ao mecanismo de ablação (FREITAS et al.,2011).

Vale lembrar que os tecidos hígidos possuem uma menor quantidade de água, assim, se justifica a possibilidade do uso dos lasers de érbio em preparos cavitários conservadores (ALTSHULER; BELIKOV; SINELNIK, 2001) e na remoção seletiva do tecido cariado (FREITAS et al.,2011).

Além disso, os lasers de érbio também são capazes de provocar significativa redução microbiana nos tecidos irradiados, como, por exemplo, no tratamento endodôntico (MAZEKI et al.,2003). E o mesmo também pode ser utilizado em tecidos moles, como em casos de gengivectomia e gengivoplastia. Lembrando que, quanto maior a quantidade de água presente, menor será o sangramento (CONVISSAR, 2011).

2- LASER DE BAIXA POTÊNCIA

A radiação emitida pelos lasers de baixa potência tem demonstrado efeitos analgésicos, anti-inflamatórios e biomoduladores sendo, por isso, bastante utilizados no processo de reparo tecidual (BARROS et al., 2008).

Além disso, se caracterizam por agir no tecido dental a nível celular e intracelular, apresentando um potencial para a estimulação dos odontoblastos (EDUARDO et al., 2010). Logo, são capazes de induzir respostas biológicas ao tecido pulpar, reduzindo a sensibilidade pós-preparo cavitário e, também, promovendo formação de dentina secundária (EDUARDO et al., 2010).

Entre os lasers de baixa intensidade encontra-se os lasers de hélio-neônio e diodo, além disso, são divididos em vermelho e infravermelho (GENOVESE, 2000).

2.1 LASER VERMELHO

O laser vermelho possui, geralmente, um comprimento de onda entre 660- 690nm alcançando, assim, uma menor profundidade. O mesmo pode ser utilizado no pós cirúrgico (BARROS et al., 2008), na mucosite oral (CAMPOS et al.,2013), na herpes labial (MAROTTI et al.,2007), nas aftas e úlceras traumáticas (CAMPOS et al.,2013), além de ser utilizado na laserterapia sistêmica, chamada atualmente de técnica modificada de irradiação intravascular no sangue (ILIB modificado) (ABREU et al.,2019).

2.2 LASER INFRAVERMELHO

O laser infravermelho possui, geralmente, um comprimento de onda entre 780- 1064nm, assim, alcançando todas as camadas da pele. O mesmo pode ser utilizado quando se precisa de ações mais profundas. Assim, podendo ser indicado para auxílio na movimentação ortodôntica (NEVES et al.,2005), na descontaminação em endodontia (PAIVA et al.,2007), no pós-cirúrgico (HADAD et al.,2020) e na parestesia dos nervos mentual, lingual e alveolar inferior (BAVERO et al.,2005; LIZARELLI et al.,2005). Além de ser utilizado na terapia fotodinâmica (PDT) na Odontologia (JÚNIOR et al.,2004).


2.2.1 TERAPIA FOTODINÂMICA ANTIMICROBIANA

O PDT consiste na associação de um agente fotossensibilizante e uma fonte de luz com o objetivo de provocar morte microbiana. (JÚNIOR et al.,2004). Nesse caso, a fonte de luz a ser utilizada é o laser infravermelho, tendo como um possível agente fotossensibilizante, o azul de metileno (JÚNIOR et al.,2004). O PDT irá causar a morte não só de bactérias, mas, também, de fungos, vírus e parasitas (JÚNIOR et al.,2004). Essa ação antimicrobiana tem ação e efeito local, podendo ser utilizada em tratamentos periodontais, tratamento de halitose e osteonecrose, por exemplo (JÚNIOR et al.,2004).

Por fim, os protocolos de uso dos lasers, tanto de alta quando o de baixa, não são totalmente definidos. Assim, o uso desses aparelhos, deve ser realizado com base em sua vivência clínica a partir dos resultados que vão sendo obtidos e em estudos científicos já comprovados. Além disso, a laserterapia dentro do consultório odontológico não é mais um futuro distante e, sim, um presente que vem sendo essencial, cada vez mais, tanto para o cirurgião dentista quanto para o paciente.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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