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Maio vermelho: combate e prevenção ao câncer de boca

Maio vermelho: combate e prevenção ao câncer de boca

A ocorrência do câncer de boca vem ganhando um destaque preocupante para a saúde pública, devido à alta incidência de mortalidade e impacto na saúde do indivíduo no que refere ao desconforto, dor, limitações funcionais e mastigatórias, prevenir o aparecimento de um tipo de câncer é diminuir as chances de ocorrência de um paciente desenvolver essa patologia através de ações preventivas que a afastem do que chamamos fatores de risco (Frota, 2011).

O mês de maio deve ser dedicado para conscientização, prevenção e luta contra o câncer de boca, conscientizando os pacientes e enfatizando a gravidade da patologia em questão.

O que é o câncer de boca?

O câncer da boca, também conhecido como câncer de lábio e cavidade oral é um tumor maligno que afeta estruturas da cavidade bucal e a orofaringe. Tende a acometer o sexo masculino de forma mais intensa, sendo a maioria dos casos são diagnosticados em indivíduos com idade superior a 50 anos. Localiza-se, preferencialmente, no assoalho da boca e na língua e o tipo histológico mais frequente é o carcinoma de células escamosas, ou seja, carcinoma epidermóide.

Quais são os sinais e sintomas?

Os principais sinais e sintomas relacionados ao câncer da boca são:

 

  • Lesões na cavidade oral ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias;
  • Ulcerações superficiais com menos de 2 cm de diâmetro e indolores, podendo sangrar ou não
  • Manchas/placas avermelhadas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, palato mucosa jugal;
  • Rouquidão persistente;
  • Dor ou desconforto à mastigação deglutição;
  • Dificuldade na fala;
  • Sensação de que há algo preso na garganta;
  • Emagrecimento acentuado;
  • Dor e presença de linfadenomegalia cervical.
     

Quais são os fatores de risco?

Os fatores associados ao aumento do risco de se desenvolver uma doença são chamados fatores de risco. Sendo assim, os principais fatores de risco relacionados ao desenvolvimento do câncer da boca são:

  • Tabagismo

    O tabaco libera subprodutos que ressecam a mucosa, aumentando a camada de queratina o que facilita a ação de outros elementos carcinógenos. O ato de fumar e/ou mascar tabaco pode causar reações oxidativas nos tecidos, que implicam na iniciação de reações que produzem radicais livres nos eventos celulares.
     

  • Álcool

    O álcool de forma crônica em contato direto com a mucosa atua como solvente expondo-a a fatores carcinogênicos facilitando a penetração de diferentes substâncias. Por isso, quando associado ao tabagismo, apresentam efeito sinérgico fazendo com que as toxinas carcinogênicas deste penetrem no organismo com facilidade.
     

  • Patógenos

    Alguns agentes biológicos, como o papiloma vírus humano (HPV) tem sido correlacionado com o câncer oral e de orofaringe.
     

  • Traumas crônicos e Higiene bucal precária

    Traumas crônicos presentes de forma constante e prolongada sobre a mucosa da boca pode ser um cofator do desenvolvimento do câncer por favorecer a ação de outros carcinógenos.
     

  • Exposição excessiva à luz ultravioleta (câncer do lábio)

    A radiação solar é capaz, em longo prazo, de produzir lesões de significativa importância biológica.
     

  • Dieta

    Diversos estudos relacionam a dieta inadequada com a incidência do câncer bucal. Alguns alimentos bem como suas formas de preparo podem provocar a liberação de substâncias cancerígenas.
     

  • Lesões Cancerizáveis

    Lesões cancerizáveis são benignas, porém, quando associadas aos fatores de risco podem ou não serem associadas a transformações malignas.

Entre os fatores de risco relacionados anteriormente ao câncer da boca o hábito de fumar e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são os fatores de risco que frequentemente estão mais associados ao desenvolvimento do câncer de boca.

Como se prevenir?

A prevenção do câncer da boca deve basear-se no aconselhamento para a cessação do ato de fumar e para consumir bebidas alcoólicas com moderação, além da adoção de uma alimentação saudável, proteção contra a radiação solar, realização diária da higienização oral utilizando escovas dentais adequadas com técnicas corretas de escovação e o fio dental e procurar com frequência o cirurgião dentista para consulta odontológica de controle.

Como realizar o auto exame?

A finalidade do auto exame é identificar anormalidades existentes na mucosa bucal, que alertem o paciente e o façam consultar um cirurgião dentista.

O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento da doença, por isso o cirurgião dentista deve estimular os pacientes a executar frequentemente o auto exame em um local bem iluminado, diante do espelho.

O auto exame deve ser realizado nas seguintes etapas:

  • Lavar bem a boca e remover próteses dentárias, se este for o caso;
  • De frente para o espelho, observar a pele do rosto e do pescoço, visualizando se

encontra algum sinal que não tenha notado antes.

  • Tocar suavemente com as pontas dos dedos toda a face;
  • Deslocar o lábio superior para cima e apalpar a mucosa;
  • Em seguida deve-se fazer o mesmo com o lábio inferior;
  • Observar o dorso da língua;
  • Inclinar a cabeça para trás e abrir a boca o máximo possível para examinar atentamente o palato, deve-se palpar com o dedo indicador toda a região;
  • Observar o fundo da garganta;
  • Examinar o pescoço, comparar os lados direito e esquerdo e ver se há diferenças entre eles e apalpar a procura de nódulos;
  • Finalmente, introduzir o polegar por debaixo do queixo e apalpar suavemente todo o seu contorno inferior.

Devem ser observados sinais como mudança na cor da pele e mucosas, endurecimentos, nódulos, feridas, inchações, áreas dormentes, e úlcera rasa, indolor e avermelhada (Frota, 2011).

Como é realizado o diagnóstico?

O Cirurgião dentista tem papel fundamental no diagnóstico precoce do câncer. O exame clínico deve ser amplo, completo e ter uma sequência apropriada. Deve- se ser realizada inicialmente a Anamnese, onde por meio de uma conversa orientada o cirurgião dentista irá obter informações relacionadas à história de vida do paciente e os aspectos subjetivos. Em seguida deve-se realizar o Exame físico onde serão coletados os dados objetivos, ou seja, os sinais relacionados à doença.

Após a verificação dos sinais correspondentes a patologia em questão, deve ser realizada a biopsia em seguida do exame histopatológico para confirmação do diagnóstico.

Considerações finais

Deve-se estimular a higiene oral e a visita regular ao dentista como medidas preventivas, além disso, o cirurgião dentista deve orientar o paciente na realização do auto exame a fim de realizar o diagnóstico precoce. O exame clínico cuidadoso deve ser realizado em todas as consultas, mesmo que a queixa principal não se concentre nesta topografia. Dessa forma, contribuindo para melhoria da qualidade de vida do paciente.

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Referências

1. FROTA, Andréia Rodrigues Silva. ORIENTAÇÃO SOBRE PREVENÇÃO DE CÂNCER BUCAL E AUTO-EXAME. 2011. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2734.pdf. Acesso em: 20 maio 2020.

2. VIEIRA, Nilza Emiliana Bandeira. Câncer de boca: Avaliação do autoconhecimento de pacientes da atenção primária à saúde. 2017. Disponível em: http://publicacoesacademicas.unicatolicaquixada.edu.br/index.php/joac/article/view/1687/1397. Acesso em: 20 maio 2020.

3. SAÚDE, Ministério da. Câncer de boca: o que é, sintomas, causas, tratamento, diagnóstico e prevenção. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a- z/cancer-de-boca. Acesso em: 20 maio 2020.

4. CANCEROLOGIA, Revista Brasileira de. Prevenção do câncer da boca. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/site/arquivos/n_49/v04/pdf/norma4.pdf. Acesso em: 20 maio 2020.

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