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Odontopediatria preventiva: da gestação ao crescimento

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Palavras-chave: Gestante, saúde bucal, gravidez,  prevenção

A gravidez constitui um momento de transformações na vida da mulher, além das questões emocionais, existem também, as alterações físicas e fisiológicas. Neste período uma equipe multidisciplinar deve orientar corretamente a gestante em relação a seu estado de saúde geral, e dentro deste, está o cirurgião-dentista.

Neste período gestacional, a mulher se mostra mais receptiva às informações que podem ser revertidas em seu benefício e principalmente do bebê, pois sabe-se que suas atitudes e escolhas refletirão no desenvolvimento de um bebê saudável.

Problemas de saúde durante a gestação podem levar à formação de defeitos nos dentes da criança, por exemplo. Além disso, os hábitos da mãe estão relacionados aos futuros hábitos de sua criança. Neste sentido, ações educativas e preventivas com gestantes tornam-se fundamentais para que a mãe cuide de sua saúde bucal e possa introduzir bons hábitos desde o início da vida de seu filho.

Alterações bucais e gestação

As alterações hormonais (alto níveis de estrógenos e progesterona) e a presença de placa bacteriana devido à higienização bucal ineficiente, são as principais causas das manifestações de alterações bucais que podem ocorrer na gestação, sendo as mais comuns a cárie dentária e a gengivite gravídica.

A incidência da cárie dentária não está diretamente ligada ao período gestacional, mas, sim, a fatores como a menor capacidade estomacal, que faz com que a gestante diminua a quantidade de ingestão de alimentos, mas aumente sua frequência, somado a maior ingestão de carboidratos e higienização espaçada.

Além disso, muitas gestantes acreditam na hipótese de que seus dentes ficam mais fracos e propensos à cárie dentária por perderem cálcio, para os ossos e dentes do bebê em desenvolvimento. Este conceito deve ser continuamente esclarecido, já que o cálcio dos dentes está em forma de cristais, não estando disponível à circulação sistêmica.

A gengivite gravídica é caracterizada por uma resposta exacerbada à presença de placa dentária e sua prevalência varia entre 35 e 100% das gestantes e quando não tratada pode tornar-se uma doença periodontal. Estudos ressaltam que quanto mais severa a doença periodontal, maior é o risco de ocorrer o parto prematuro.

Uma higienização bem feita ajuda no controle das doenças gengivais e diminui o risco da cárie dentária. Assim, a gestante deve ser orientada a escovar os dentes diariamente e após as refeições, utilizando dentifrício fluoretado, e fio dental para a remoção da placa bacteriana. A gestante, quando bem informada, poderá ser um elemento chave na quebra da transmissibilidade da cárie.

Higiene oral na infância

Mesmo antes do nascimento dos dentes decíduos ou da introdução alimentar, a higienização é de essencial importância para a remoção de resíduos de leite estagnados na mucosa do bebê. Podendo ser realizada com o uso de dedeiras massageadoras de silicone ou fralda/gaze umedecida com água filtrada.

Logo após o nascimento dos primeiros dentes decíduos, a recomendação é a higiene bucal, no mínimo, 3 vezes ao dia com uma escova pequena e cerdas macias, com dentifrício fluoretado, na quantidade de um grão de arroz cru, além do fio dental.

Essa higiene oral deve ser realizada da mesma maneira que a dos outros membros da família, isto é, depois das refeições. Escovas adequadas a idade, lúdicas e com personagens, podem auxiliar nesse período de criação de hábitos, fazendo com que a criança se alegre ao realizar a higienização. Além disso, é de essencial relevância que os pais deem o exemplo, e tratem esse momento como prazeroso e rotineiro, incentivando assim o hábito.

  • Escove os dentes juntos;
  • Não brigue e não altere a voz;
  • Brinque (“A escova ajuda a dar banho nos dentes”, ”a pasta é o shampoo dos dentes”, “a cárie tem medo do fio dental”, “o bichinho cárie estraga os dentes”);
  • Dê o exemplo;
  • Demonstre ser um momento prazeroso e de autocuidado.

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Referências:

REIS, Deise Moreira et al. Educação em saúde como estratégia de promoção de saúde bucal em gestantes. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 15, n. 1, p. 269-276, Jan.  2010. <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S141381232010000100032&amp;ln
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BASTIANI, Cristiane et al. Conhecimento das gestantes sobre alterações bucais e tratamento odontológico durante a gravidez. Odontol. Clín.-Cient., Recife, 9 (2) 155-160, abr./jun., 2010.
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FERNANDES, Daniela S. Casarin et al. Motivo do atendimento odontológico na primeira infância. Stomatos vol.16 no.30 Canoas Jan./Jun. 2010. <http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?pid=S151944422010000100002&amp;script=sci_arttext>

PRESTES, Ana Cláudia Guterres et al. Saúde bucal materno-infantil: uma revisãointegrativa. RFO, Passo Fundo, v. 18, n. 1, p. 112-119, jan./abr. 2013 <htlt;tp://revodonto.bvsalud.org/pdf/rfo/v18n1/a19v18n1.pdf>

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