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Paciente traumatizado de face: implicações de aspectos nutricionais

Paciente traumatizado de face: implicações de aspectos nutricionais

Rafael dos Santos de Santana (1)

Marcos Antônio Martins Santos (2)

Jorge Antônio Ferreira Marques (3)

Danilo dos Santos Araújo (4)

Nailson de Santana dos Santos (5)

1: Graduado em odontologia, pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Especialista em Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial, pelo IFAP/FUNORTE.  Especialista em Implantodontia no Instituto Prime de Ensino Personalizado (AVANTIS)   E-mail: rafa.odonto@hotmail.com

2: Especialista em Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial, pela UEFS Professor do curso de especialização em Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial, pelo IFAP/FUNORTE (Núcleo Feira de Santana –BA)

3- Especialista em Metodologia do Ensino Superior. Mestre em Cirurgia Bucomaxilo Facial PUC-RS. Professor de Cirurgia Bucal e Diagnóstico Oral II UEFS. Coordenador do Curso de Especialização em C.T.B.M.F (Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilo Facial) do IFAP/FUNORTE Chefe do Serviço de Cirurgia e T.B.M.F do H.G.C.A (Hospital Geral Cleriston Andrade). Doutorado em Implantodontia (SLMANDIC – CAMPINAS).

4- Graduado em odontologia, pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Especialista em Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial, pelo IFAP/FUNORTE. Especialista em ortodontira, pelo IFAP/FUNORTE

5- Graduado em odontologia, pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS); Especialista em Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial, pela UEFS

RESUMO

As fraturas faciais frequentemente estão associadas a lesões de outras regiões do corpo humano. O atendimento hospitalar e a assistência ao paciente politraumatizado envolvem uma série de etapas multidisciplinares, capazes de influenciar diretamente a sobrevivência da vítima. A partir dessa visão, este trabalho tem o objetivo de abordar as consequências dos aspectos nutricionais no paciente traumatizado de face e suas implicações clínicas.  

Sendo assim, é de suma importância que o Cirurgião Bucomaxilofacial tenha amplo domínio no que diz respeito à estrutura funcional e organizacional do hospital onde atua, conhecendo toda a logística hospitalar, evitando perda de tempo durante o atendimento à vítima, contribuindo até mesmo para redução dos custos hospitalares. A Terapia Nutricional tem tido grande impacto na evolução do paciente grave. Sua escolha e manuseio, no entanto, têm sido alvo de dúvidas e erros frequentes, principalmente no paciente crítico.

Palavras-Chave: Fraturas faciais, Cirurgião Buco-maxilo-facial, terapia nutricional

ABSTRACT

Facial fractures are frequently associated with injuries to other body regions. Correct management of the hospitalized patient with multiple traumas involves a series of multidisciplinary steps that can directly influence the survival of the victim. From that view, this paper has the objective to address the implications of the nutritional aspects in trauma to face patient and its clinical implications.

It is therefore extremely important that the oral and maxillofacial surgeon has a broad understanding of the functional and organizational structures of the hospital where he/she works. This will reduce treatment time, contributing reduced hospital costs. Nutritional Therapeutic has a great impact on the treatment of the critically ill patient. Its choice and conduct, however, has been a matter of doubt and frequent errors. The choice of nutrition therapy to be performed, as well as their route of administration should take into account the clinical picture and the general conditions of the patient.

Keywords: Facial fractures, Surgeon maxillo-facial, nutritional therap
 

1. INTRODUÇÃO

O trauma determina graves consequências biopsicossociais em suas vítimas, podendo ocasionar desde incapacidade temporária ou permanente a, até mesmo, o óbito do paciente. Fatores econômicos encontram-se diretamente envolvidos devido ao alto custo destinado à recuperação do indivíduo (WHITAKER, 2006).

Sendo assim, torna-se vital o desenvolvimento de um sistema efetivo, organizado e multidisciplinar, a fim de otimizar a qualidade do atendimento do paciente politraumatizado, que, segundo MILORO, (2008), pode ser capaz de minimizar as taxas de mortalidade e morbidade hospitalar em até 10% dos casos.

Sob a ótica da organização dos serviços hospitalares, encontra-se a Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (CTBMF), uma especialidade da Odontologia, que tem como um dos seus objetivos o diagnóstico e o tratamento, cirúrgico e coadjuvante, das doenças de origem traumática do sistema estomatognático e da região buco-maxilo-facial (WHITAKER, 2006).

A avaliação das implicações dos aspectos nutricionais constitui matéria abrangente nos casos de trauma de face. Nos pacientes graves, que configuram amplo espectro de casos com diferentes traumas, respostas metabólicas e tratamentos distintos, podem gerar inúmeras possibilidades para evolução do caso (MAICÁ; SCHWEIGERT, 2008).

Neste trabalho estudaremos a importância do conhecimento da correta indicação e aplicação da terapia nutricional no que se refere a tratamento dos pacientes com trauma de face. E nesse sentindo destacamos alguns aspectos que interagem diretamente na resposta do organismo do enfermo, onde níveis de 40% de desnutrição pode se fatal (HOFFMAN et al, 2000), que pode ser preexistente, manifestar-se à internação ou desenvolver-se em decorrência do estado hipercatabólico e hipermetabólico.

Em geral, para a avaliação do estado nutricional do paciente crítico, recorre-se aos métodos habitualmente empregados em outros pacientes, tais como a antropometria, marcadores bioquímicos e pregas cutâneas, embora limitações tanto na aplicação quanto interpretação dos resultados dificulte esta prática tão importante (MONTEJO, 2006).

O objetivo deste trabalho é contribuir com os colegas da Cirurgia e Traumatologia BucoMaxiloFacial (CTBMF), como uma ferramenta a mais, no intuito de auxiliar o tratamento dos pacientes com trauma de face, levando em consideração as suas implicações de aspecto nutricional a fim de lhe oferecer melhor recuperação e o reinserindo a sua rotina de vida da melhor forma e mais rápida possível. Isso será realizado através de uma revisão de literatura recente, em artigos brasileiros e/ou estrangeiros.

2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Atendimento inicial ao politraumatizado, visão da Bucomaxilofacial

O paciente politraumatizado pode ser conduzido ao hospital pela unidade de remoção de urgência/emergência, que é geralmente quem realiza o atendimento pré-hospitalar ou por demanda espontânea. (CARVALHO, et al. 2010).

NAVARRO, et al (2009) descreve que a cirurgia geral é a especialidade médica responsável pelo atendimento inicial ao paciente, aplicando o Suporte Avançado de Vida no Trauma (Advanced Trauma Life Support – ATLS) e solicitando posteriormente os serviços das demais clínicas. Segundo o American College Of Surgeons, PERRY & PERRY (2009), o ATLS, é aceito como o “padrão ouro” do atendimento inicial de trauma no mundo todo.

Pacientes com fraturas de face muitas vezes requerem repouso funcional do sistema mastigatório, e, para tal, a dieta oral não pode ser sólida, devendo ser administrada sob a forma pastosa, ou até mesmo, líquida. Há casos em que o paciente não está apto para receber dieta oral, seja por uma fratura facial ou por grande dano nos tecidos moles intraorais.

Nesses casos, a nutrição enteral está indicada e deverá ser introduzida por uma sonda oro ou naso-entérica. A nutrição parenteral não é muito utilizada em CTBMF, mas está indicada quando o paciente não pode, não consegue ou não deve alimentar-se utilizando o aparelho digestivo. (PRADO; SALIM, 2008; MANGANELLO-SOUZA, 2006).

A importância da nutrição, no paciente crítico, fundamenta-se no conhecimento das consequências fisiológicas da desnutrição, como possíveis alterações nas funções musculares, respiratórias, cardíacas, no balanço da cascata de coagulação, no balanço eletrolítico e hormonal, e na função renal. A nutrição afeta as respostas emocional e comportamental, a recuperação funcional e o custo total do tratamento. (FONTOURA et al, 2006).

Em relação à hidratação pré-operatória, o jejum de 12 horas, frequente nos pacientes operados no período da manhã, resulta em redução de aproximadamente 800 ml na água total do organismo e o jejum de 18 horas pode corresponder à redução de 1000 a 1500 ml da água total. (FREIRE, 2000).

Nas reações regenerativas das feridas ocorre uma substituição do tecido lesado por um tecido do mesmo tipo. Já nas reações reparativas ocorre uma substituição do tecido injuriado por outro semelhante, porém não idêntico (ZANINI, 1990). Sabe-se que o retardo na cicatrização pode ocorrer em pessoas com deficiência de qualquer nutriente essencial (GALVÃO, et al. 2010).

2.2 Nutrição x consolidação óssea

A vitamina D representa uma família de esteroides classificada como seco-esteróide, e desempenha relevante papel na absorção do cálcio. É conceitualmente considerado um hormônio, não somente porque agirá em local distante de onde ocorreu sua síntese, mas também porque necessita de conversão bioquímica para se tornar biologicamente ativa. Sua síntese inicia-se na pele pela fotolização do 7-dehidrocolesterol em hidroxivitamina D3 (colicalciferol), constituindo a pré-vitamina D3, pela ação da radiação ultravioleta (UVB).

Este subproduto alcançará o fígado onde sofrerá sua primeira hidroxilação, formando a pró-vitamina D3, denominada de hidroxivitamina D3 sendo posteriormente levada a concluir sua síntese no rim onde acontecerá a segunda hidroxilação, por ação da enzima 1-hidroxilase presente na mitocôndria das células do túbulo proximal, formando a 1,25 dihidroxivitamina também conhecida como calcitriol. Este composto final age favorecendo a absorção de cálcio proveniente da alimentação pelo intestino delgado. (SZENJNFELD, 2000).

Fato importante a ser mencionado é que a Osteocalcina (OC – é uma proteína secretada por osteoblastos maduros, condrócitos hipertrofiados e odontoblastos que é responsável pela efetiva mineralização), tem sua síntese estimulada pela 1,25 dihidroxivitamina D3 (calcitriol). Este fato parece ser suficiente para justificar a necessidade de serem considerados os níveis de vitamina D3 presentes no organismo toda vez que se pensar em metabolismo ósseo (SARAIVA, 2002).

3. DISCUSSÃO

De acordo com os nossos conhecimentos, SANTANA (2012); SANTOS (2012), alguns itens devem ser considerados na hora em que se faz uma dieta para um paciente enfermo: 1) a dieta deve desviar-se do normal o mínimo possível; 2) a dieta deverá suprir as necessidades de nutrientes essenciais; 3) hábitos e preferências alimentares, seu poder aquisitivo, práticas religiosas; 4) estado nutricional.                                                                                                         

Agora cabe ao cirurgião bucomaxilofacial, investigar bem e avaliar seu paciente, para saber prescrever a melhor forma terapêutica, para auxiliar o organismo a responder da melhor forma possível a se recuperar do trauma sofrido.

 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

  • Há uma necessidade de melhor conhecimento por parte dos cirurgiões bucomaxilofaciais quanto à nutrição de seus pacientes, evitando assim, dietas empíricas.
     
  • O tipo de dieta é de fundamental e decisiva importância para uma melhor recuperação.
     
  • Uma das melhores opções de aprimorar esse aprendizado poderia ser a inserção na equipe multidisciplinar, de um nutricionista.
     
  • Devem-se ser desenvolvidos protocolos nutricionais, pois ate o presente momento, eles são inexistentes.
     
  • Sugere-se, por tanto, que o tema seja mais amplamente pesquisado, para que o mesmo auxilie como uma ferramenta a mais, na recuperação rápida dos pacientes. 

Matérias Relacionadas:

5. REFERÊNCIAS
 

  • CARVALHO, m.f, et al. Princípios de atendimento hospitalar em cirurgia buco-maxilo-facial. Revista de cirurgia e traumatologia buco-maxilo-facial. 2010.
     
  • WHITAKER IY, GUTIÉRREZ MGR, KOIZUMI M.S. Gravidade do trauma avaliada na fase pré-hospitalar. Rev Ass Med Brasil. 1998;44(2):111-9.
     
  • PEREIRA WAP, LIMA MADS. Atendimento pré-hospitalar: caracterização das ocorrências de acidente de trânsito. Acta Paul Enferm. 2006;19(3):279-83.
     
  • SILVA OMP, LEBRÃO ML. Estudo da emergência odontológica e traumatologia buco-maxilo-facial nas unidades de internação e de emergência dos hospitais do município de São Paulo. Rev Bras Epidemiol. 2003;6(1):58-67.
     
  • MAICÁ. A. O.  SCHWEIGERT I.D. Avaliação nutricional em pacientes graves. Rev Bras Ter Intensiva. 2008; 20(3):286-295.
     
  • HOFFMAN D, HEYMSFIELD SB, WAITZBERG DL. Composição corpórea. In: Waitzberg DL. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica. 3a ed. São Paulo: Atheneu; 2000. p. 225-39
     
  • MONTEJO Gonzalez JC, CULEBRAS-FERNANDEZ,  JM, Garcia de Lorenzo y Mateos A. Recommendations for the nutritional assessment of critically ill patients. Rev Med Chile. 2006;134(8):1049-56. Spanish.
     
  • MOURA, M. R. L.; REYES, F. G. R. Interação fármaco-nutriente: uma revisão. Revista de Nutrição, 15(2), p. 223-238, maio/ago., 2002.
     
  • EVANGELISTA, José. Alimentos: um estudo abrangente. 1.ed. São Paulo: Atheneu, 1994.
     
  • NAVARRO DC, FUERTES MJ, ÁLVAREZ JCM, MEANA LR, LECINA EJ, INABA K, HERRERO E, VELASCO JA. Instauración y funcionamiento inicial de uma unidad de politraumatizados em um hospital de segundo nível. Cir Esp. 2009;86(6):363-8.
     
  • PERRY M. Maxillofacial trauma: developments, innovations and controversies. Injury, Int J Care Injured. 2009;(40)1252-59.
     
  • PRADO R, SALIM M. Cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial: diagnóstico e tratamento. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2004.
     
  • MANGANELLO-SOUZA LC, LUZ JGC. Tratamento cirúrgico do trauma bucomaxilofacial. 3ª ed. São Paulo: Roca; 2006.
     
  • FONTOURA, CRUZ, LONDERO, et al. Avaliação Nutricional de Paciente Critico no Hospital de Clinicas de Porto Alegre. Revista Brasileira de Terapia Intensiva Vol. 18 Nº 3, Julho – Setembro, 2006
     
  • FREIRE ECS. Equilíbrio hidroeletrolítico em cirurgia. In: Vieira OM, Chaves CP, Manso JEF, Eulálio JMR. Clínica Cirúrgica. Fundamentos Teóricos e Práticos. Atheneu, São Paulo 2000; 13-26.
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