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Prevalência dos tumores benignos orais e maxilofaciais – revisão integrativa | Colunista

Prevalência dos tumores benignos orais e maxilofaciais – revisão integrativa.jpg (67 KB)

INTRODUÇÃO

Os tumores odontogênicos elencam um grupo heterogêneo e complexo de patologias com diferentes manifestações clínicas e histológicas. Em sua grande maioria são neoplasias benignas resultantes da proliferação de células dos tecidos da odontogênese. Neoplasias malignas e outras patologias semelhantes a tumores odontogênicos podem ser evidenciadas nos ossos maxilares (AHIRE et al., 2018). A prevalência dessas patologias pode variar de acordo com a região anatômica, gênero, idade, condição sistêmica, hábitos de higiene oral, ambientais e socioeconômicos (FOMETE et al., 2018).

As interações entre elementos epiteliais e mesenquimais de tecidos odontogênicos podem iniciar a formação de tumores devido a um desarranjo do mecânismo de sinalização para seu crescimento e proliferação (CAVALCANTE et al., 2016). A nova classificação adotada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no ano de 2017 definiu que essas entidades seriam classificadas como: tumores odontogênicos epiteliais, mesenquimais (ectomesenquimais) e mistos (AREGBESOLA et al.,2018).

Os tumores de origem epitelial são derivados de remanescentes do epitélio odontogênico, os principais representantes são: tumor odontogênico escamoso, tumor odontogênico epitelial calcificante (TOEC), tumor odontogênico adenomatóide (TOA), fibroma ameloblástico e o ameloblastoma. O ameloblastoma é o tumor de maior importância clínica, em virtude do seu potencial de destruição óssea, atualmente a OMS alterou a classificação desta lesão, determinando suas variantes em ameloblastoma, ameloblastoma unicístico e o Ameloblastoma extraósseo ou periférico (WRIGHT e VERED, 2017).

Os tumores Ectomesênquimais tem sua constituição primariamente de elementos do mesênquima odontogênico, no entanto, pode haver a presença de epitélio, porem este não é determinante na sua etiopatogênia. Os principais representantes são: fibroma odontogênico, mixoma odontogênico, cementoblastoma e o fibroma cemento-ossificante. Dentre os tumores mistos, os que apresentam componentes epiteliais e mesenquimais podemos destacar o tumor odontogênico primordial, odontoma (composto e complexo) e o tumor dentinogênico de células
fantasmas.

O presente artigo tem como objetivo realizar uma análise de prevalência dos principais tumores benignos do complexo maxilofacial tendo como base a nomenclatura atual da OMS por meio de uma revisão de integrativa da literatura.

METODOLOGIA

Este trabalho configura-se como uma revisão integrativa da literatura, o acervo bibliográfico é formado por uma amostra de conveniência de artigos indexados nas bases do PUBMED (Public Medline) e SCIELO (Scientific Electronic Library Online) publicados a partir de 2016, nos idiomas inglês e português, tendo como palavras-chave: Tumores Odontogênicos, Neoplasias da cabeça e pescoço e Epidemiologia, sendo seus correspondentes em inglês: Odontogenic Tumors, Head and Neck Neoplasms e epidemiology. Critérios de inclusão: artigos completos com análise epidemiológica, realizado nos últimos 5 anos, em inglês e português. Critérios de exclusão: relatos de caso, artigos sem análise estatística, artigos que não apresentam a classificação dos tumores.

RESULTADOS

De acordo com a análise dos 10 artigos evidenciou-se que o gênero masculino é o mais acometido por tumores odontogênicos em uma proporção de até 3:1 em ralação ao gênero feminino, tendo a mandíbula como o sítio anatômico mais afetado por estas lesões, com relação a idade observou-se que a terceira e quarta década de vida são as faixas etárias mais comuns no momento do diagnóstico dos tumores.

O tumor de maior prevalência de acordo com os estudos foi o ameloblastoma, sendo relatado em todos os artigos como o mais diagnosticado, o somatório do número de lesões analisados em todos os estudos foram de 2494, sendo relatados 1065 casos de ameloblastoma, no entanto, os estudos não mostram a prevalência de cada variante desta entidade. Os principais resultados da pesquisa podem ser evidenciados na tabela 01.

Tabela 01 - Estudos epidemiológicos evidenciando os tumores mais prevalentes.

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DISCUSSÃO

Os tumores de origem odontogênica configuram-se como neoplasias derivadas dos tecidos que compõem a odontogênese do sistema estomatognático, podem ser derivados do epitélio do ectomesênquima ou mistos, diversos estudos apontam que podem ter uma prevalência de 2-5% de todas as lesões maxilofaciais. Dentre as entidades mais comuns, destacam-se o Ameloblastoma, Odontoma, tumor odontogênico epitelial calcificante e o
mixoma (KILINC et al., 2017).

No presente estudo foram avaliados 10 artigos a respeito da prevalência dos tumores benignos da região maxilofacial, totalizando um total de 2494 tumores analisados. O tumor mais prevalente foi o Ameloblastoma, representando 1065 casos (42,7%). De acordo com Rajendra e Ogle (2020) os tumores benignos da região oral e maxilofacial representam cerca de 1% de todos os tumores do corpo humano, dentre estas entidades destaca-se o ameloblastoma como o segundo tipo mais comum.

Outras lesões mais frequentes foram o Mixoma, o Tumor odontogênico Adenomatóide e o Odontoma. Diversos estudos descrevem o Ameloblastoma como o tumor odontogênico epitelial mais prevalente, no entanto, outros autores sugerem que o odontoma seja o tumor mais prevalente, este sendo de origem mista (SEKERCI et al., 2015; SHARMA et al., 2017).

Fomete et al. (2018), realizaram uma análise epidemiológica de 1170 tumores de cabeça e pescoço e evidenciaram que 179 (15,3%) tratava-se de tumores odontogênicos benignos, sendo gênero masculino o mais afetado, principalmente na terceira década de vida, esse dado vai de acordo com relatados nos demais estudos.

Diferentes tumores podem se manifestar na cavidade oral, nos ossos maxilares, bem como, na face e seus anexos. Estes incluem tumores odontogênicos e não odontogênicos, a prevalência destas lesões é muito variável, estando diretamente relacionado a população estudada, localização geográfica e outros fatores como gênero, idade e etiologia (KILINC et al., 2017).

CONCLUSÃO

De acordo com a pesquisa podemos concluir que os tumores odontogênicos se apresentam como um grupo heterogêneo de lesões, sendo o Ameloblastoma o tumor odontogênico benigno mais comum relatado na literatura. Outros tumores também possuem prevalência variada tais como mixoma, odontoma, tumor odontogênico adenomatóide.

Podemos concluir que a prevalência destas lesões também está associada a fatores biológicos como gênero e idade, bem como fatores extrínsecos (socioeconômicos), o desenho do estudo também pode influenciar na distribuição e classificação dos tumores, novas classificações são instituídas pela OMS a medida que surgem novos estudos e esta deve ser sempre consultada.
 

Sérgio Éberson da Silva Maia¹
Patrick Sabóia Beserra¹
Laís Inês Silva Cardoso ¹
Kim Rafael Veloso da Silva²
Thais Cristina Araújo Moreira³

1 - Residente do programa de cirurgia e traumatologia Bucomaxilofacial da UFPI- Teresina - PI
2 - Cirurgião Bucomaxilofacial do HRJL - Picos-PI.
3 - Cirurgiã Bucomaxilofacial do hospital Universitário da UFPI – Teresina – PI.

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REFERÊNCIAS

FOMETE, B.; OSUNDE, O. D.; OGBEIFUN, J. O. A Thirteen-year Retrospective Analysis of 179 Odontogenic Tumours in a Nigerian Tertiary Healthcare Facility. West Indian Med J, v. 67, n. 3, p. 233, 2018.

KILINC, Adnan et al. Benign tumors and tumor-like lesions of the oral cavity and jaws: An analysis of 709 cases. Nigerian Journal of Clinical Practice, v. 20, n. 11, p. 1448-1454, 2017.

LOUREDO. et al. Estudo epidemiológico de lesões odontogênicas provenientes do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Universidade Federal do Amazonas. Revista Brasileira de Odontologia, v. 74, n. 2, p. 126, 2017.

AHIRE, M S. et al. Odontogenic tumors: A 35-year retrospective study of 250 cases in an Indian (Maharashtra) teaching institute. Indian Journal of Cancer, v. 55, n. 3, p. 265, 2018.

Sharma et al. Epidemiological and Clinicopathological Analysis of 92 Odontogenic Tumors: A 5-year Retrospective Study. J Contemp Dent Pract. 2017;18(11):1056-1060.

AREGBESOLA, B et al. Odontogenic tumours in Nigeria: A multicentre study of 582 cases and review of the literature. Medicina Oral, Patología Oral y Cirugía Bucal, v. 23, n. 6, p. e761, 2018.

MEHNGI, R et al. Clinical and Histopathological Analysis of Odontogenic Tumors in Institution-A 10 Years Retrospective Study. J Contemp Dent Pract, v. 19, n. 10, p. 1288-1292, 2018.

CAVALCANTE, et al. Epithelial Odontogenic Tumors: Analysis of 156 Cases in a Brazilian Population. Int. J. Odontostomat., Temuco , v. 10, n. 1, p. 113-118, abr. 2016

SEKERCI AE et al. Odontogenic tumors: a collaborative study of 218 cases diagnosed over 12 years and comprehensive review of the literature. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2015;20(1):e34-e44.

NALABOLU GRK et al. Epidemiological study of odontogenic tumours: An institutional experience. J Infect Public Health. 2017

WRIGHT, John M.; VERED, Marilena. Update from the 4th edition of the World Health Organization classification of head and neck tumours: odontogenic and maxillofacial bone tumors. Head and neck pathology, v. 11, n. 1, p. 68-77, 2017.

Rajendra Santosh AB, Ogle OE. Odontogenic Tumors. Dent Clin North Am. 2020;64(1):121- 138.

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