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Qual a importância da Odontologia hospitalar? Revisão da Literatura

Qual a importância da Odontologia hospitalar? Revisão da Literatura

Introdução
Odontologia Hospitalar é uma especialidade odontológica que atua em ambiente hospitalar com determinada função de prestar serviço odontológico a pacientes internados em enfermarias ou Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Tem como objetivo induzir a promoção de saúde, prevenção de doenças, diagnóstico e tratamento de doenças buco-maxilo-faciais (SILVA, et al. 2017). O Conselho Federal de Odontologia (CFO), em 2004 , constituiu, na III Assembleia Nacional de Especialidades Odontológicas, reconhecendo o direito de exercício da Odontologia Hospitalar mediante da resolução CFO-162/2015. Assim determinando que o atendimento a pacientes pela especialidade seja não só apenas em ambiente hospitalar, mas também domiciliar (CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA, 2015). O Cirurgião-dentista tem papel fundamental no ambiente hospitalar, isso inclui a avaliação da condição bucal, atenção das manifestações orais estabelecidas pelas condições sistêmicas apresentadas pelo paciente acamado (SILVA, et al. 2017).

A odontologia Hospitalar foi idealizada por Simon Hullihen (1810 – 1857), também criador de diversos instrumentais odontológicos, e pioneiro em cirurgias orais reparadoras de lábio e palato. No Brasil, em 2004, foi criada a ABRAOH, Associação Brasileira de Odontologia Hospitalar, que decretou a Odontologia hospitalar como especialidade odontológica e exercendo atendimento ao paciente que encontra-se internado em ambiente hospitalar. A ABRAOH desde de 2004, incentiva, regulariza e acompanha a formação e a atuação dos Cirurgiões-Dentistas em ambiente hospitalar, contribuindo no reconhecimento desta especialidade (PINHEIRO, 2017) .

Para a habilitação na especialidade Odontologia Hospitalar, são necessárias 350 horas de curso sendo 30% teórica e 70% prática, tendo pelo menos um professor mestre ou doutor na área. Esta regra cumpri a resolução 162/2015, onde fazem parte do curso disciplinas básicas dentre elas: rotina hospitalar (gestão, bioética, biossegurança, prontuário, prescrição medicamentosa, prática clínica, urgência e emergência); propedêutica clínica (interpretação de exames, patologias, interações medicamentosas); e Basic Life Support (BLS) (PINHEIRO, 2017).
 

 

METODOLOGIA

Foi realizada revisão de literatura por intermédio de levantamento de dados bibliográficos em banco de dados eletrônicos como PUBMED, Scielo, LILACS, GOOGLE SCHOLAR, nos últimos para pesquisa dos dados. Utilizando os descritores: Medicina Bucal; Saúde Bucal; Ética Odontológica.
 

 

OBJETIVO
Busca trazer informações sobre a especialidade e a atuação do cirurgião-dentista no ambiente hospitalar, como também a sua inclusão na equipe multiprofissional nos tratamentos dos pacientes internados ou com comprometimento sistêmico.

ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA NO HOSPITAL

A literatura atesta que a condição de saúde bucal pode influenciar no desenvolvimento do quadro sistêmico de pacientes internados em unidades de terapia intensiva que apresentam higiene oral deficiente, suscitando ao desenvolvimento de doenças respiratórias, infecções de origem odontogênicas e não odontogênica pelo acúmulo de microrganismos resistentes (RODRIGUES, et al. 2014). A antibioticoterapia muitas vezes não conclui sua eficácia medicamentosa, não trazendo melhora ao quadro sistêmico do paciente, devido à falta de higienização oral. A impossibilidade de higienização favorece o desequilíbrio da microbiota residente, resultante num aumento de aquisição de diversas doenças infecciosas envolvendo a saúde integral do paciente. Estes pacientes estão vulneráveis, sob ventilação mecânica, pois o reflexo da tosse, a expectoração e as barreiras imunológicas são insuficientes.

O ambiente se tornar susceptível a agravos, como acúmulo de biofilme, cárie dental, doença periodontal, endocardite bacteriana, pneumonia, entre outros, micro-organismos bucais, sendo as infecções nosocomiais, responsáveis pelos dados estatístico de óbito, provocando maior impacto aos custos hospitalares e prorrogando o tempo de hospitalização. O risco de desenvolvimento de pneumonia nosocomial é maior na unidade de terapia intensiva (UTI). Se o paciente intubado não receber higiene bucal eficaz, o biofilme dental, se estabelece em cerca de 72 horas. (GOMES, et al. 2012) No atendimento odontológico hospitalar é realizada uma investigação nas primeiras 24 horas de internação na terapia intensiva, tendo o objetivo de analisar/buscar uma relação entre à presença de infecções bucais e orientar a equipe de enfermagem sobre uma correta higiene bucal. O atendimento prestado pelo cirurgião-dentista é semelhante a rotina de um médico clínico geral, onde os pacientes são submetidos a um exame clínico inicial, anamnese, exames laboratoriais e se necessários de imagem.

Procedimentos de Higiene Bucal em Unidades de Terapia Intensiva (UTI)
Segundo Rodrigues, et al. 2014, e o CFO, os seguintes procedimentos podem ser realizados pelo cirurgião-dentista em ambiente hospitalar:

  • Identificação   da   doença   e   verificação   do   estado   geral   do paciente, determina a condição de saúde bucal:  Através do índice CPO-D (dentes   cariados, perdidos   e   obturados) e   avaliação   do   nível   de   doença periodontal;
  • Controle da quantidade de placa bacteriana, sendo considerada uma das etapas mais importantes sobre o cuidado odontológicos em pacientes internados.
  • Diagnóstico e o tratamento de infecções odontogênicas e não-odontogênicas;
  • Avaliação sobre a necessidade de remoção de aparelhos ortodônticos, próteses parafusadas e restaurações metálicas, bem como de outros aparatos que interfiram em exames de imagem ou que possam causar lesões em tecidos moles;
  • Avaliação da necessidade de instalação de aparelhos bucais para prevenir ou tratar lesões traumáticas em tecidos moles;
  • Avaliação da necessidade de hidratação labial diária. Devido ao risco de ressecamento e xerostomia;
  • Instrução de higiene oral a equipe de enfermagem, com utilização de Digluconato de clorexidina a 0,12% duas vezes ao dia, para descontaminação da cavidade oral e conjuntamente a redução da incidência de infecção nosocomial em pacientes internados em UTI.
     

Instrução de Higiene bucal

 

Condição Bucal do Paciente

Procedimento de higiene

Acamado ou ausência dentaria parcial

  1. Escovação dentária seguindo a técnica de Bass modificada, com ou sem creme dental; 

  2. Escovação da língua; 

  3.  Lavagem com água filtrada; 

  4. Irrigação e aspiração de líquidos; 

  5.  Aplicação de espátula com gaze, embebidos em solução de digluconato de clorexidina a 0,12%, sobre toda a mucosa bucal, gengivas, dentes, língua e palato;

  6.  Aspirar o excesso sem enxaguar.

  7. Hidratar os lábios com loção de ácidos graxos.

Edentulismo

  1. Escovação da língua; 

  2. Lavagem com água filtrada; 

  3.  Irrigação e aspiração do excesso de líquidos; 

  4.  Aplicação de espátula com gaze, embebidos em solução de digluconato de clorexidina a 0,12%, sobre toda a mucosa oral, rebordos desdentados, língua e palato; 

  5. Aspirar o excesso sem enxaguar.

  6. Hidratar os lábios com loção de ácidos graxos.

 

CONCLUSÃOA assistência odontológica prestada pelo Cirurgião-Dentista, em ambiente hospitalar é de grande importância, pois beneficiará o paciente diretamente e sua melhora clínica. O   exame   clínico   intra oral   e o   tratamento odontológico em pacientes hospitalizados exigem o acompanhamento por um cirurgião-dentista habilitado em odontologia hospitalar, tendo como objetivo promoção de saúde e devolver a qualidade de vida dos indivíduos.  

O cirurgião-dentista atua motivando à higiene bucal, contribuindo para o restringimento do tempo e custo de internação do paciente, uma vez que tal procedimento poderá diminuir a quantidade de micro-organismos presentes na placa bacteriana e doença periodontal, fatores predisponentes às infecções sistêmicas.
 

Autora: Marina Rosa Barbosa

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA. Resolução nº. 163, de 09 de novembro de 2015. Conceitua a Odontologia Hospitalar e define a atuação do cirurgião-dentista habilitado a exercê-la. 2015. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=310456. Acesso: 16 nov. 2017

PINHEIRO, T. B; ODONTOLOGIA HOSPITALAR: A importância do cirurgião-dentista nas unidades de terapia intensiva e sua atuação no atendimento a pacientes portadores de necessidades especiais; TAIANE BEATRIS PINHEIRO, PORTO VELHO 2017 – CENTRO UNIVERSITARIO SÃO LUCAS ARTIGO (BACHARELADO)

RODRIGUES, A. C. A; PARREIRA, M.G.O; SANTOS, P.C.M; MAGALHÃES, S.R; MELGAÇO, C.A; JORGE, K O; ODONTOLOGIA HOSPITALAR: ATUAÇÃO DO CIRURGIÃO-DENTISTA NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA;V. 20 N. 1ISSN1517-848xe 2446-9874

SILVA, E.D.A; OLIVEIRA, L.B; AZEVEDO, L.M; FELIX, V.B; A IMPORT NCIA DA EQUIPE ODONTOLÓGICA NO AMBIENTE HOSPITALAR; GEP NEWS, Maceió, V.1, n.4, p. 14-18, out./dez. 2017

GOMES, Sabrina Fernandes e  ESTEVES, Márcia Cristina Lourenço. Atuação do cirurgião-dentista na UTI: um novo paradigma. Rev. Bras. Odontol. [online]. 2012, vol.69, n.1, pp. 67-70. ISSN 1984-3747.
 

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