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Odontologia no autismo | Colunista

Odontologia no autismo | Colunista

Definição:

A organização Mundial de Saúde (OMS) define o autismo como uma síndrome que está presente desde o nascimento e se manifesta antes dos 30 meses, na qual existe deficiência nas respostas aos estímulos visuais e auditivos e fala ausente ou deficiente.
(Maria Sílvia YounesOriqui)

Epidemiologia:

O índice de prevalência, aponta para 1 indivíduo com autismo (prototípico) a cada 1.000 nascimentos; cerca de 4 indivíduos com transtorno do espectro do autismo (síndrome de Asperger) a cada 1.000 nascimentos.

Etiologia:

As causas do autismo são desconhecidas. Acredita-se que esteja em alguma parte do cérebro ainda não definida de forma conclusiva e, provavelmente, de origem genética. Além disso, admite – se que possa ser causado por problemas relacionados a fatos ocorridos durante a gestação ou no momento do parto.

Além disso, podemos citar: Síndrome do X-frágil, fenilcetonúria, esclerose tuberosa, genética e causas ambientais

Diagnóstico:

O médico solicita exames por volta dos 18 meses de idade para investigar condições que tem causas identificáveis e podem provocar um quadro de autismo infantil, só podendo ser caracterizado autismo quando diagnosticado até os 3 anos de idade.

Características clínicas:

Os comportamentos mais facilmente perceptíveis associados ao autismo compreendem:

  1. Atraso ou ausência total no desenvolvimento da fala
  2. Rejeição a interação social;
  3. Comportamentos estereotipados (agitação das mãos, correr em círculos, estalar dos dedos, balançar – se, caminhar na ponta dos pés, acionar rapidamente interruptores de luz, agressividades e ataques de raiva)
  4. Ecolalia (repetição do que é dito);
  5. Automutilação;
  6. Irregularidades no desenvolvimento intelectual
  7. Vocalizações bizarras

Classificação de grau do autismo:

Um método muito utilizado é o CARS, que consiste em uma entrevista estruturada de 15 itens com os pais ou responsáveis de uma criança autista maior de 2 anos de idade. A cada um dos itens, se aplica uma escala de sete pontos, o que permite classificar formas leve – moderadas e severas de autismo.

Método Cars.png (33 KB)

Os escores de cada domínio variam de 1 a 4 com intermediário de 0,5 predizendo quando os sintomas situam – se entre dois itens, totalizando entre 15 a 60 pontos. A pontuação final define a severidade, classificando como individuo sem autismo os que atingirem entre 15 a 29 pontos e com autismo os que pontuam igual ou acima de 30 pontos, classificando – os de acordo com o grau de comprometimento em leve – moderado de 30 a 36 pontos e grave de 37 a 60 pontos

  1. Nível 1: déficit na comunicação social notório, quando desprovido de apoio; dificuldade em encetar interação com as outras pessoas e resposta atípica ou inadequada as tentativas de interação social; interesses repetitivos prejudicam o dia a dia em um ou mais aspectos; resiste as tentativas de interrupção ou de desvio da atenção dos seus interesses e comportamentos
     
  2. Nível 2: déficit marcado tanto na comunicação verbal como não verbal; presença de dificuldades na interação social mesmo com apoio; dificuldade, falta de iniciativa ou resposta inadequada à tentativa de estabelecimento de interações; presença de interesses restritos e comportamentos repetitivos suficientes para serem detectáveis pelo observador casual e que afetam a vida da criança em vários aspectos; irritação ou frustação quando os interesses restritos e os comportamentos repetitivos são interrompidos; difícil de conseguir o desvio da atenção de interesses enraizados
     
  3. Nível 3: déficit severos de comunicação verbal e não verbal; escassa iniciativa na interação social; raramente responde a propostas sociais colocadas por outras pessoas e quando responde a resposta é curta; comportamentos repetitivos e/ou rituais que interferem gravemente com as atividades diárias; ansiedade e irritação exagerada quando as rotinas e os rituais são interrompidos; grande dificuldade em desviar a sua atenção dos interesses e rituais repetitivos e quando se consegue rapidamente retornam aos mesmos

 

Tratamento:

  1. TEACCH (tratamento e educação para crianças autistas e com distúrbios correlatos da comunicação): baseia – se na organização do ambiente físico através de rotinas organizadas em quadros, painéis ou agendas e sistemas de trabalho, de forma a adaptar o ambiente para tornar mais fácil para a criança compreendê-lo, assim como compreender o que se espera dela.

    O TEACCH visa desenvolver a independência da criança de modo que ela necessite do professor para o aprendizado, mas que possa também passar grande parte de seu tempo ocupando – se de forma independente.
     

  2. Sonrise: visa desenvolver habilidades sociais, como contato visual, desenvolvimento de período maior, interação compartilhada, comunicação verbal e não verbal, flexibilidade para interagir
     
  3. ABA (analise aplicada do comportamento): visa ensinar à criança habilidades que ela não possui, através da introdução destas habilidades por etapas. Cada habilidade é ensinada, em geral, em esquema individual, inicialmente apresentando – a associada a uma indicação ou instrução.
     
  4. PECS (sistema de comunicação através da troca de figuras): visa ajudar a criança a perceber que através da comunicação ela pode conseguir muito mais rapidamente as coisas que deseja, estimulando – a assim a comunicar – se, e muito provavelmente a diminuir drasticamente problemas de conduta.
     
  5. Outros tratamentos: tratamentos psicoterapêuticos, fonoaudiólogos, equoterapia, musicoterapia e outros, que não tem uma linha formal que os caracterize no tratamento do autismo, e que por outro lado dependem diretamente da visão, dos objetivos e do bom senso de cada profissional que os aplica.
     
  6. Medicação: a medicação para valer à pena, deve ter efeitos claramente visíveis. Se o efeito da medicação não for visivelmente o esperado, não vale a pena correr os riscos
     
  7. Inclusão: incluir a criança com autismo em escola regular para se misturar com pessoas normais

Tratamento odontológico:

  1. Criar uma rotina antes de iniciar o tratamento propriamente dito. Mantendo o mesmo dia, horário e equipe profissional, uma vez que o paciente precise de continuidade
     
  2. Consultas curtas, bem estruturadas e evitar a espera na recepção
     
  3. Comandos claros, curtos e simples. Evitando palavras que provoquem medo
     
  4. Recomenda – se as técnicas: “dizer, mostrar e fazer”; controle de voz; reforço positivo; dessensibilização; analise comportamental aplicada (ACA); distração; presença ou ausência dos responsáveis; técnicas sensoriais; pedagogia visual;
     
  5. Individualizar a abordagem
     
  6. Reduzir a estimulação sensorial com luz forte, sons e odores
     
  7. Ter cautela ao prescrever medicamentos que possam ter interação medicamentosa com os medicamentos a utilizados pelo paciente
     
  8. O tratamento sob anestesia geral em ambiente hospitalar é o mais recomendado quando não for conseguido o condicionamento do paciente para atendimento ambulatorial

Problemas e soluções:

  1. Já que as causas não são totalmente conhecidas, o que pode ser recomendado em termos de prevenção do autismo são os cuidados gerais a todas as gestantes, especialmente cuidados com ingestão de produtos químicos, tais como remédios, álcool ou fumo
     
  2. Para solucionar o problema da redução do fluxo salivar, se é recomendado o uso de saliva artificial

Alterações orofaciais:

  • Doenças bucais mais comuns: gengivite e periodontite
     
  • O uso de metilfenidato (ritalina), está relacionado à redução do fluxo salivar, causando muitas vezes xerostomia, responsável pelo o aparecimento da cárie
     
  • O uso de alguns medicamentos podem causar redução do fluxo salivar, sangramento gengival que podem facilitar quadros hemorrágicos, predispondo o individuo a infecções secundarias e cicatrização demorada no pós-operatório, eritema multiforme, disfagia, sialodenite, disgeusia, estomatite, glossite, edema e descoloração da língua, sialorreia, angioedema, distonia, petéquias, lesões na cavidade oral, aumento gengival, hipersalivação
     
  • Bruxismo
     
  • Lesões autoinfligidas
     
  • Maloclusão
     
  • Traumatismos dentários

Matérias Relacionadas:

Referências:

1. Abordagem de pacientes autistas em odontopediatria (https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/5450/1/PPG_24104.pdf)

2. Assistência odontológica a pacientes autistas: revisão de literatura (http://131.0.244.66:8082/jspui/bitstream/123456789/753/1/MARIANA%20MOREIRA%20DOS%20SANTOS%20-%20TCC.pdf)

3. Autismo e síndrome de Asperger: um visão geral (http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbp/v28s1/a02v28s1.pdf)

4. Autismo Guia prático 4 edição, Ana maria S. Ros de Mello (https://mega.nz/#!TZNCWajA!2Xg9Ndsguq5MF9H9vX1brrDRwy_PuTIw8ZYDgEmaaI4)

5. Autismo X odontologia (https://www.youtube.com/watch?v=PbuTIszEvgM)

6. Autismo: caracterização e classificação do grau de severidade dos alunos da associação maringaense dos autistas (AMA) com base no método CARS (https://www.mastereditora.com.br/periodico/20160804_210918.pdf)

7. Autismo: Propostas de intervenção (file:///C:/Users/Laisa/Downloads/63-123-1-SM.pdf)

8.Avaliação Clínica das Condições de Saúde Bucal de Pacientes Autistas
(http://bdtd.famerp.br/bitstream/tede/213/1/mariasilviaoriqui_dissert.pdf)

9. Manual prático para o atendimento odontológico de pacientes com necessidades especiais (https://odonto.ufg.br/up/133/o/Manual_corrigido-.pdf)

10. Uma breve revisão histórica sobre a construção dos conceitos do autismo infantil e da síndrome de Asperger (http://www.scielo.br/pdf/rsbf/v13n3/a15v13n3)

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